Dívida externa de países em desenvolvimento atinge recorde de US$9,4 tri em 2025, diz Banco Mundial
A dívida externa de países de baixa e média renda bateu o recorde de US$ 9,4 trilhões em 2025, impulsionada por novos empréstimos e pela desvalorização cambial, segundo o Banco Mundial. O aumento de 5,5% elevou os custos com juros, que chegaram a 8,2% junto a credores privados para as nações mais pobres, a maior taxa desde 1989. O serviço da dívida consumiu US$ 1,4 trilhão no ano, cenário que ameaça investimentos cruciais em saúde, educação e infraestrutura diante da piora na sustentabilidade fiscal.
Os países de baixa e média renda estão contraindo mais empréstimos e pagando mais pelas novas dívidas, com a dívida externa aumentando 5,5% para um recorde de US$9,4 trilhões em 2025, informou o Banco Mundial nesta quinta-feira.
A instituição financeira sediada em Washington afirmou que os empréstimos por meio dos mercados internacionais de títulos continuaram em 2026, levantando questões críticas sobre "se os termos são sustentáveis e se o capital levantado está chegando às pessoas e aos locais que mais precisam dele".
Em seu Relatório Anual sobre a Dívida Internacional, o Banco afirmou que o salto na dívida externa em 2025 — o maior aumento anual desde 2021, logo após a pandemia da Covid — ameaça prejudicar investimentos essenciais em educação, infraestrutura, saúde e empregos.
O Banco observou que o acesso ao financiamento internacional melhorou, mas os países em desenvolvimento mais pobres estão pagando, em média, juros de 8,2% sobre novos compromissos com credores privados — a taxa mais alta desde 1989 — e 9,4% sobre novos títulos.
Em contrapartida, os países que não se qualificam para empréstimos com juros baixos ou zero juros no âmbito da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) pagam, em média, 5,5% sobre novos títulos, uma queda em relação aos 5,8% registrados em 2024, informou o banco.
Autoridades do Banco Mundial e de outras instituições financeiras internacionais vêm alertando nos últimos meses sobre os altos níveis de endividamento e o impacto adverso das taxas de juros mais elevadas sobre os países em desenvolvimento.
O relatório indicou que os empréstimos dos países em desenvolvimento junto a credores privados e as emissões de títulos por entidades públicas aumentaram quase 35%, para US$251 bilhões, o nível mais alto em cinco anos. A dívida externa cresceu mais rapidamente entre os países elegíveis à AID, subindo 8,1%, para US$1,3 trilhão em 2025.
"O retorno dos empréstimos privados aos países de baixa e média renda é bem-vindo, mas esses países estão tomando mais empréstimos, pagando mais e, em muitos casos, destinando menos recursos para o desenvolvimento de longo prazo", disse Haishan Fu, estatístico-chefe do Banco Mundial. "Gerenciar a dívida de forma responsável significa dar a todos — incluindo as futuras gerações — a chance de prosperar."
O relatório mostrou que muitos governos emitiram novos títulos para recomprar dívidas que estavam vencendo, estendendo seus prazos de pagamento, muitas vezes a taxas de juros mais altas e sem reduzir significativamente os saldos da dívida. A demanda continua a crescer neste ano, apesar dos altos custos. Até meados de agosto, mais de 10 países já haviam excedido sua meta de emissões para todo o ano de 2025, enquanto vários outros retornaram aos mercados internacionais, segundo o relatório.
Os países de baixa e média renda pagaram US$1,4 trilhão em principal e juros em 2025, o quinto aumento anual consecutivo. Isso foi impulsionado por um aumento de 13,7% nos pagamentos a credores privados, que chegaram a US$363 bilhões, segundo o relatório.
Os países em desenvolvimento pagaram US$436 bilhões a mais em serviço da dívida do que receberam em novos financiamentos de 2022 a 2025, mas a dinâmica mudou em 2025, com o relatório citando um influxo líquido de US$45 bilhões.
A dramática desvalorização do dólar foi outro fator importante que afetou fortemente os países em desenvolvimento, elevando o valor em dólares da dívida denominada em outras moedas. A desvalorização do dólar foi responsável por mais de 28% do aumento da dívida dos países em desenvolvimento, e vários dos maiores tomadores de empréstimos de linhas de crédito com juros reduzidos registraram saldos mais elevados do estoque da dívida no final de 2025, apesar dos pagamentos contínuos do serviço da dívida.
O relatório alertou que custos mais elevados com o serviço da dívida podem resultar em menor investimento, menos oportunidades e maior vulnerabilidade a choques nos países em desenvolvimento.
O banco também defendeu esforços contínuos para aumentar a transparência sobre os acordos de dívida, fortalecer os padrões e preencher lacunas de dados, observando que novos credores, instrumentos, garantias e acordos de financiamento poderiam dificultar a compreensão da exposição total de um país à dívida.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.