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Joesley Batista se reuniu com Trump e pediu redução de tarifa sobre carne do Brasil, diz jornal

Segundo o The Wall Street Journal, os dois discutiram como o aumento da oferta de carne bovina brasileira poderia ajudar a conter os preços nos EUA caso Trump reduzisse as tarifas de importação; JBS não se pronunciou

1 set 2026 - 11h12
(atualizado às 11h18)
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Resumo
Joesley Batista, da JBS, reuniu-se com Donald Trump para defender a redução de tarifas sobre a carne brasileira a fim de conter a inflação nos EUA. Logo após o encontro e um diálogo com Lula, Trump anunciou a isenção temporária de tarifas para 300 mil toneladas de carne moída para baratear o produto. A decisão gerou forte reação de pecuaristas e congressistas americanos, enquanto a JBS busca ampliar sua fatia de mercado em meio a investigações antitruste no setor.

O empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um dia antes de Washington anunciar a isenção de tarifas para a importação de carne moída, segundo o The Wall Street Journal.

O jornal afirmou que o encontro ocorreu no Salão Oval, em 20 no agosto. A reportagem não conseguiu confirmar quem promoveu a reunião.

Fontes familiarizadas com o assunto, que falaram com o Wall Street Journal sob condição de anonimato, afirmaram que os dois discutiram como o aumento do fornecimento de carne bovina do Brasil poderia ajudar a conter a alta dos preços nos EUA caso Trump reduzisse as tarifas de importação.

Joesley Batista se reuniu com Donald Trump para discutir o aumento do fornecimento de carne bovina do Brasil.
Joesley Batista se reuniu com Donald Trump para discutir o aumento do fornecimento de carne bovina do Brasil.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Procurada, a JBS não respondeu à tentativa de contato do Estadão. O espaço segue aberto.

No dia seguinte ao encontro, o Palácio do Planalto afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com Trump por telefone durante uma hora e 20 minutos. Segundo o governo brasileiro, os dois abordaram temas como o tarifaço e o combate ao crime organizado.

Algumas horas depois, naquele mesmo dia, Trump anunciou na Truth Social que os EUA isentariam de tarifas a importação de até 300 mil toneladas de carne moída nos próximos 90 dias. Segundo o presidente, os produtos seriam vendidos com um desconto de 25% sobre os preços de mercado.

"Este acordo reduzirá os preços para os americanos", disse Trump na época.

A JBS é a maior processadora de carne do mundo. O Wall Street Journal destacou que empresa já desempenhou um papel fundamental na definição das posições do governo Trump e que a Pilgrim's Pride, segunda maior processadora de frango dos EUA, controlada majoritariamente pela JBS, contribuiu com US$ 5 milhões para a posse do republicano, tornando-se a maior doadora.

Segundo o jornal, a JBS afirmou ter um longo histórico de participação no processo cívico e de criação de oportunidades para fornecer alimentos seguros e acessíveis para famílias americanas.

A carne bovina está entre os produtos cujos preços mais incomodam os consumidores americanos. Segundo dados oficiais de inflação, em maio era preciso pagar 15% a mais do que no ano anterior para comprar um bife.

No entanto, ao tentar agradar os consumidores, Trump provocou revolta entre os pecuaristas e atraiu fortes críticas de grupos do setor. A Associação Nacional de Pecuaristas, maior associação comercial de pecuaristas, afirmou que a intervenção do governo só prejudicaria os pecuaristas e impediria a estabilidade de longo prazo da indústria da carne bovina.

Alguns parlamentares republicanos também não concordaram com a ação, meses antes das eleições legislativas. A deputada Ashley Hinson, de Iowa, candidata ao Senado em seu Estado, afirmou que o plano é uma "má ideia". O senador Pete Ricketts, do Nebraska, que concorre à reeleição, disse em publicação no X que "mudanças políticas de curto prazo não equivalem a soluções de longo prazo".

Em meio a essa situação, o Departamento de Justiça dos EUA investiga as quatro maiores empresas de processamento de carne dos EUA, incluindo a JBS, por suspeita de práticas anticoncorrenciais.

O jornal afirmou que as empresas negam qualquer irregularidade e enfrentam dificuldades financeiras devido ao aumento do custo do abate de gado nos EUA.

Segundo o Wall Street Journal, a JBS acredita que importar mais carne brasileira para os EUA representaria uma maior fatia do mercado americano. Dados do Departamento de Agricultura levantados pelo jornal mostram que o Brasil exportou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina para os EUA no primeiro semestre deste ano, um aumento de 10% em relação ao ano anterior.

Estadão
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