A trajetória do CEO que levou a biometria aos estádios e transformou uso da tecnologia em negócio milionário
Ricardo Cadar fundou a Bepass e hoje comanda operações no Nubank Parque, Maracanã, MorumBIS, Vila Belmiro e Arena do Grêmio
Aos 19 anos, Ricardo Cadar já havia decidido que queria empreender. Aos 24, conheceu o outro lado da jornada: a falência do primeiro negócio. Décadas depois, a experiência acumulada entre erros e mudanças de rota ajudou a formar o empresário que hoje comanda a Bepass, empresa brasileira especializada em reconhecimento facial para grandes eventos.
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Fundada em 2022, a companhia começou com uma proposta mais ampla de solucionar problemas de acesso físico em locais de grande circulação. O futebol entrou no caminho posteriormente, quando surgiu a oportunidade de ajudar o Palmeiras a combater o cambismo e a falsificação de ingressos.
Depois desse primeiro contrato com o time paulista, a biometria facial deixou de ser apenas uma tecnologia em que Cadar apostava e se transformou no centro de um negócio que atualmente opera em alguns dos principais estádios do país.
A tecnologia está presente no Nubank Parque, no Maracanã, no MorumBIS, na Vila Belmiro e na Arena do Grêmio. Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 15 milhões e projeta chegar a R$ 26 milhões em 2026. A trajetória até esse ponto, porém, não foi fácil, conforme relatou em entrevista ao Terra.
Da primeira empresa à falência
Formado em engenharia civil no fim dos anos 1990, Cadar conta que o empreendedorismo sempre esteve presente em sua vida. A primeira experiência empresarial aconteceu ainda jovem e terminou de maneira difícil, com a falência aos 24 anos.
“Essa primeira experiência me ensinou muito sobre o que não fazer. Quando você é jovem tem uma tendência de achar que uma boa oportunidade é suficiente. Com o tempo, percebe que não é assim. É preciso entender o mercado e sua operação para saber exatamente qual risco que está disposto a assumir”, afirmou.
Antes de fundar a Bepass, durante dois anos, o empresário fez cursos no Vale do Silício, visitou empresas e buscou referências em diferentes países tentando entender como a biometria estava sendo desenvolvida e utilizada no mundo.
“Quando me mudei para os Estados Unidos, minha cabeça para tecnologia abriu completamente. Pesquisei muito, viajei e entendi o que estava acontecendo no mundo em relação à biometria facial”, conta.
A experiência internacional ajudou a construir o conhecimento que posteriormente seria aplicado no Brasil. De volta ao país, em 2019, Cadar passou a trabalhar em uma empresa que utilizava biometria no setor público. Alguns anos depois, porém, percebeu que queria construir algo próprio no mercado privado. Em 2022, deixou a operação e fundou a Bepass.
Quando o estádio virou oportunidade
A ideia inicial era utilizar a biometria para resolver problemas de acesso físico de grandes volumes de pessoas, inicialmente em condomínios comerciais. O projeto mudou quando surgiu a demanda do Palmeiras.
O clube precisava enfrentar problemas como cambismo e ingressos falsos. A tecnologia desenvolvida pela Bepass permitia associar o ingresso à identidade do torcedor, criando uma solução que ia além do simples controle de entrada.
“Quando surgiu o problema do cambismo no Palmeiras, percebi que tínhamos uma tecnologia que poderia resolver aquela dor de uma forma muito eficiente. Fizemos a implantação e o resultado veio muito rápido”, afirma.
O Allianz Parque, atualmente Nubank Parque, foi o primeiro estádio em que a empresa realizou uma implantação em grande escala. O projeto também serviu como teste para a capacidade operacional da companhia. “Sem dúvida, também foi o mais difícil, porque era a primeira implantação daquela escala”, diz Cadar.
A partir do Palmeiras, a Bepass passou a ampliar sua presença no futebol brasileiro. A companhia chegou a outras grandes arenas e transformou a experiência acumulada em uma vantagem para conquistar novos clientes.
Para o CEO, essa capacidade de mudar de direção conforme o mercado apresenta novas oportunidades é uma das características fundamentais do empreendedor.
“No começo, a ideia nem era estádio. Queria resolver o problema de acesso físico de grandes volumes de pessoas, inicialmente em condomínios comerciais. E acho que essa é uma característica de quem empreende: você começa com uma ideia, mas precisa estar preparado para pivotar quando aparece uma oportunidade melhor.”
O reconhecimento facial, segundo a empresa, pode tornar o acesso até três vezes mais rápido do que métodos tradicionais, como o QR Code, chegando a até 25 acessos por minuto. A tecnologia também permite vincular o ingresso à identidade do torcedor, contribuindo para o combate ao cambismo e para a identificação de pessoas com restrições criminais.
“O Palmeiras foi nosso primeiro grande case e foi o primeiro estádio do mundo a fazer o acesso 100% por biometria facial”.
Cada estádio apresenta características próprias, o que impede que a empresa simplesmente replique uma implantação anterior. A operação de uma arena como o Maracanã tem desafios diferentes daqueles encontrados na Vila Belmiro ou em outros estádios.
Da experiência brasileira à América Latina
A primeira operação internacional foi fechada com o Club Atlético Vélez Sarsfield, na Argentina. Agora, a empresa também inicia uma operação com a Universidad de Chile, ampliando a presença no mercado latino-americano.
Na Argentina, a tecnologia chegou ao estádio José Amalfitani, em Buenos Aires, com capacidade superior a 49 mil pessoas. No Chile, a operação começa no Estádio Nacional de Santiago, que comporta mais de 46 mil torcedores.
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