Na Globo, Zema defende anistia a Bolsonaro, diz ser contra a obrigatoriedade de vacina, e sofre mais de 10 interrupções de Renata e Tralli
Candidato do Novo abriu a série de sabatinas promovidas após o Jornal Nacional com os presidenciáveis
O candidato Romeu Zema (Novo) abriu a série de sabatinas promovidas pela TV Globo na noite desta segunda-feira, 24, com os presidenciáveis. Visivelmente nervoso, o ex-governador mineiro foi questionado, logo no início, sobre a dívida pública do Estado de Minas Gerais enquanto esteve no poder. Na sequência, defendeu a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o regime de trabalho por hora, o aumento automático da idade mínima da Previdência e afirmou se inspirar na política de Nayib Bukele, presidente controverso de El Salvador
Momento da Decisão vai colocar frente a frente os principais candidatos à Presidência no dia 14 de setembro, às 22h, em debate promovido pelo Terra e outros 10 veículos
A entrevista foi o primeiro momento de grande exposição do ex-governador de Minas Gerais nesta corrida eleitoral. No domingo, 23, ele declinou do convite para participar do debate presidencial, realizado pela Band, e a sua equipe alegou que foi para se preparar para o encontro com César Tralli e Renata Vasconcellos. O embate entre eles foi marcado por 13 interrupções dos jornalistas.
A âncora do Jornal Nacional começou a sabatina questionando Zema sobre o enfrentamento da dívida pública brasileira. Renata destacou que, enquanto governador de Minas Gerais, dobrou a dívida do Estado. "Por que o eleitor deve acreditar que o senhor, se eleito, vai conter o crescimento da dívida pública federal se não conseguiu diminuir o tamanho da dívida do governo de Minas?"
Zema começou a entrevista com ataques ao governo federal, afirmando que as dívidas do estado aumentaram por causa do comando em Brasília. Na sequência, foi interrompido repetidas vezes ao não responder diretamente à pergunta.
"A dívida de Minas foi toda feita no passado. Eu não fiz nenhum empréstimo durante o meu governo. Ela foi herdada dos anos 1990 e cresceu muito por causa dos juros de agiota cobrados pelo governo federal. Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentados que não recebiam aposentadoria e R$ 13 bilhões para o governo federal, referentes a funcionários públicos. Hoje, a dívida representa menos para Minas Gerais do que representava quando assumi."
Defesa da anistia
Questionado sobre sua posição em relação à anistia dos condenados pelos crimes do 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Quem comete o crime é quem leva o crime adiante. Quem idealizou, mas não levou, para mim, não cometeu crime", afirmou o ex-governador.
Neste momento, Renata interrompeu e indagou se Zema discorda que foram cometidos os sete crimes identificados pelo STF: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, organização criminosa armada, deterioração de patrimônio tombado.
O candidato destacou apenas que o crime de deterioração de patrimônio "foi adiante".
Vacinação no Brasil
Na entrevista, Zema também defendeu que a vacinação não seja obrigatória. Embora tenha afirmado que tomou todos os imunizantes, incluindo as doses contra covid-19, e que "acredita na ciência", o candidato do Novo disse ser contrário a medidas que, segundo ele, possam "punir ou perseguir famílias" por não terem se vacinado. Para Zema, o governo deve priorizar campanhas de conscientização para ampliar a adesão à vacinação e evitar novos surtos.
"Agora, o que me preocupa é a segurança pública. O que esse governo está fazendo em relação aos bandidos, que estão matando muito mais do que qualquer doença?", questionou. Em seguida, defendeu que o Estado concentre seus esforços no combate ao crime.
Inspiração nas políticas de Nayib Bukele
Na discussão sobre segurança pública, Zema foi perguntado sobre apontar o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como uma referência para suas propostas. A referência a Bukele, no entanto, é controversa por causa das denúncias de violações de direitos humanos associadas ao modelo. Desde 2022, o país mantém um regime de exceção que amplia os poderes do Estado para prender suspeitos de envolvimento com organizações criminosas. A Human Rights Watch e a Anistia Internacional registraram casos de prisões arbitrárias, tortura, mortes sob custódia e restrições ao direito de defesa.
Ao ser interrompido e questionado sobre as exatas medidas implementadas no país, no entanto, o candidato afirmou que não pretende adotar prisões sem mandado, ampliar o período de detenção sem ordem judicial, restringir o habeas corpus ou o acesso de presos a advogados. Ele também rejeitou julgamentos coletivos e prisões baseadas em denúncias anônimas, local de residência ou tatuagens.
Segundo Zema, a inspiração está principalmente na estratégia de aumentar o que chamou de "custo do crime", recuperar territórios dominados por facções criminosas e ampliar o sistema penitenciário.
Confira as principais aspas
"Quero simplificar as leis trabalhistas e criar um regime de trabalho por hora, como existe em todo país sério e desenvolvido. Com isso, vamos formalizar o trabalho"
"Não vou mexer na idade mínima da Previdência, por ora. Nós vamos mexer à medida que a expectativa de vida aumentar e depois de verificarmos se conseguimos arrecadar mais com a formalização"
"Eu tomei todas as vacinas da Covid e acredito na ciência. Agora, eu não posso permitir que uma família seja perseguida porque alguém não tomou a vacina. O papel do governo é fazer campanhas de conscientização para vacinar o maior número de pessoas possível, porque, caso contrário, podemos ter um surto"
"Venho do setor privado. Sempre criei empregos, mais de 5 mil. Sou empreendedor, como a maioria dos brasileiros, e vou combater como ninguém os privilégios e a corrupção, como fiz quando fui governador de Minas Gerais"
Quando os outros candidatos serão entrevistados?
A cronologia das entrevistas segue a seguinte ordem:
- 25/8 (terça-feira) - Ronaldo Caiado (PSD)
- 26/8 (quarta-feira) - Renan Santos (Missão)
- 27/8 (quinta-feira) - Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- 28/8 (sexta-feira) - Flávio Bolsonaro (PL)
- 29/8 (sábado) - Augusto Cury (Avante)

Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.