Opinião: Renata Vasconcellos deixa Zema tenso ao mostrar que Jornal Nacional não é palanque
Candidato do Novo teve de encarar dados e muita informação dos entrevistadores
O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) pareceu ter sido pego totalmente desprevenido ao sentar na sabatina do Jornal Nacional nesta segunda-feira, 24. Acompanhado por César Tralli e Renata Vasconcellos, o presidenciável acreditou que encontraria um espaço complacente para desfilar propagandas políticas, mas esbarrou no peso da experiência de dois jornalistas afiados, munidos de dados e sem paciência para subterfúgios.
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Logo na primeira pergunta, ao ser questionado sobre a escalada da dívida pública de Minas Gerais durante a sua gestão, Zema tentou divagar e fugir da resposta. Foi imediatamente interrompido por Renata Vasconcellos, que fez o devido contraponto com números. Diante da insistência do candidato em desviar do assunto, as ponderações da bancada foram sucessivas e implacáveis.
O tom da sabatina escalou quando o tema passou pela saúde pública. Zema voltou a defender a tese de que a vacinação contra doenças graves deveria ser uma "escolha individual" do cidadão, ignorando o conceito básico de imunização coletiva. Renata Vasconcellos não deixou a falácia passar em branco e rebateu na hora: “Se mais da metade não se vacinar, vacina perde o efeito”, falou.
Não satisfeita em desarmar o discurso antivacina, a apresentação da Globo precisou intervir novamente quando o candidato tentou amenizar a gravidade dos atos golpistas. Zema tentou relativizar a condenação dos envolvidos nas invasões dos Poderes, alegando que havia pessoas presas por simplesmente “sujar estátua”.
A resposta de Renata veio como um martelo: “O senhor quer que eu repita aqui a lista de crimes graves pelos quais essas pessoas foram efetivamente condenadas pelo Supremo?“
O presidenciável, que se recusou a comparecer ao primeiro debate da corrida presidencial promovido pela Band, talvez tenha imaginado que a entrevista de estúdio no Jornal Nacional seria um passeio confortável, mas encarou muito contraponto.
Em tempos de redes sociais dominadas pela divulgação de fatos distorcidos e números lançados sem qualquer questionamento, Renata Vasconcellos mostrou na prática qual é a real importância do jornalismo e o peso institucional que o Jornal Nacional ainda carrega.
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