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BC e BCE estudam integração entre Pix e sistema de pagamento instantâneo europeu, dizem fontes

3 set 2026 - 15h31
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Resumo
O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu avaliam a integração entre o Pix e o sistema TIPS, em um projeto que pode marcar a expansão internacional da plataforma brasileira, com piloto previsto para 2028. Dominante no Brasil e com acordos com 65 países, o avanço transfronteiriço do Pix desafia redes globais de cartões e a hegemonia do dólar, gerando atritos com os Estados Unidos, que citaram a ferramenta para justificar tarifas contra o país por considerá-la uma prática comercial desleal.

O Banco Central ‌do Brasil (BC) e o Banco Central Europeu (BCE) estão analisando uma possível integração entre seus sistemas de pagamentos instantâneos, segundo duas pessoas com conhecimento direto do assunto, em iniciativa que poderá marcar a primeira expansão transfronteiriça do Pix.

As fontes, que falaram ⁠sob condição de anonimato, afirmaram que as discussões refletem a ‌disposição das equipes técnicas de ambos os lados em avaliar se tal interconexão é viável. Uma das fontes disse ‌que um projeto-piloto poderá ser lançado ‌em 2028, caso a iniciativa avance conforme o planejado.

O ⁠jornal Folha de S. Paulo noticiou as discussões primeiramente na manhã desta quinta-feira.

O BCE afirmou em comunicado à Reuters que há uma investigação preliminar em andamento para explorar uma possível interconexão entre sua plataforma TARGET Instant Payment Settlement (TIPS) e o ‌Pix. Em junho, o BCE identificou o Pix como um "corredor ‌de moeda em fase ⁠de exploração" ⁠para o TIPS.

O BC se negou a comentar.

O Pix tornou-se um ponto ⁠de atrito entre Brasília e ‌Washington, conforme o governo ‌Trump busca proteger as empresas americanas do crescente apelo do modelo em dezenas de países.

O Pix já domina os pagamentos no Brasil, com custos de transação significativamente mais ⁠baixos para os comerciantes, contornando grande parte da cadeia tradicional de pagamentos com cartão.

Desde seu lançamento no final de 2020, o Pix transformou o cenário de pagamentos do país, trazendo dezenas de milhões ‌de pessoas para o sistema financeiro e, ao mesmo tempo, reduzindo a participação dos cartões de débito e crédito, afetando ⁠redes globais de cartões como Mastercard e Visa.

A plataforma foi citada entre as "práticas desleais" que os EUA utilizaram para justificar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros em julho.

No mês passado, o BC informou que estava avaliando as ligações entre o Pix e sistemas de pagamento semelhantes no exterior, sinalizando um impulso mais concreto em direção à integração transfronteiriça. O BC assinou acordos de compartilhamento de informações sobre o Pix com 65 contrapartes estrangeiras.

Isso aumentou o mal-estar em Washington, em meio a discussões nas principais economias emergentes sobre a redução da dependência do dólar norte-americano.

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