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União Europeia e Mercosul assinam acordo histórico de livre comércio após 25 anos de negociações

O tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. A oposição da França, da Polônia e de vários outros países europeus não impediu a conclusão do acordo. O texto une dois blocos que, juntos, representam mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

17 jan 2026 - 15h43
(atualizado às 15h55)
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A assinatura ocorreu ao meio-dia na capital paraguaia, país que exerce a presidência rotativa do bloco sul-americano, do qual também faz parte a Bolívia. Durante a cerimônia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o compromisso.

"Este acordo envia uma mensagem muito forte ao mundo. Ele reflete uma escolha clara e deliberada. Escolhemos o comércio justo em vez das tarifas. Escolhemos uma parceria produtiva, de longo prazo, em vez do isolacionismo", declarou a chefe do Executivo europeu, que participou da cerimônia junto com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o comissário europeu encarregado do Comércio e da Segurança Econômica, Maroš Šefčovič.

Para o chefe de Estado paraguaio, Santiago Peña, que ocupa a presidência rotativa do Mercosul, o acordo é um "sinal claro em favor do comércio internacional" em um contexto de tensões.

Do lado sul-americano, além do líder paraguaio, estiveram presentes os presidentes da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, e do Paraguai, Santiago Peña. Também participaram o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, e da Bolivia, Rodrigo Paz.

Representado pelo chanceler Mauro Vieira, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia no Paraguai, mas foi citado durante o evento. Peña afirmou que, sem os esforços do líder brasileiro, "esse acordo não seria possível".

Na véspera da assinatura, Lula declarou que o tratado, cujo processo de negociação levou 25 anos, representa um sucesso para o "multilateralismo".

"O acordo é muito bom, especialmente para o mundo democrático e para o multilateralismo", afirmou o líder brasileiro após um encontro com a presidente da Comissão Europeia, durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, na sexta-feira (16).

O tratado prevê a eliminação das tarifas alfandegárias entre os 27 países da União Europeia e a Argentina, o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e a Bolívia. O texto suprime os direitos aduaneiros sobre mais de 90% das trocas comerciais bilaterais e favorece as exportações europeias de automóveis, máquinas, produtos químicos, vinhos e bebidas alcoólicas. Em contrapartida, facilita o acesso ao mercado europeu de carne, açúcar, arroz, mel e soja provenientes da América do Sul.

Na Europa, agricultores, principalmente na França, estimam que o acordo irá prejudicá-los, sobretudo no setor da pecuária, diante da concorrência da carne bovina, de frango e de suínos originários da América do Sul. Por esse motivo, a categoria realizou diversos protestos nos últimos dias.

Para os defensores do tratado, por outro lado, o texto permitirá impulsionar uma economia europeia fragilizada e fortalecer as relações diplomáticas com a América Latina.

O acordo ainda precisará ser ratificado pelo Parlamento Europeu nas próximas semanas ou meses. A votação pode ser apertada, embora uma maioria pareça favorável ao texto.

Na terça-feira (20), agricultores já prometem se reunir em uma manifestação em Estrasburgo, diante da sede do Palamento Europeu, em protesto contra o texto. 

(Com agências)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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