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Taxas de DIs sobem ao fim da sessão após EUA revogarem licença para petróleo iraniano

7 jul 2026 - 17h00
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As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) ganharam força na reta ‌final da sessão e encerraram a terça-feira com altas, acompanhando a aceleração dos rendimentos dos Treasuries após os Estados Unidos revogarem uma autorização para a venda de petróleo do Irã.

Em meio à percepção de retrocesso nas negociações de paz no Oriente Médio, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,14%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,043% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para ⁠janeiro de 2035 estava em 14,37%, com elevação de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,321%.

Até próximo do fechamento da sessão ‌regular as taxas futuras demonstravam acomodação no Brasil, mas a notícia envolvendo EUA e Irã deu força ao petróleo, acelerou o avanço dos rendimentos dos Treasuries e impulsionou o dólar ante outras divisas, o que impactou a curva brasileira.

Os EUA ‌revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano, afirmou uma ‌autoridade norte-americana, alertando que as ações do Irã no Estreito de Ormuz eram "totalmente inaceitáveis" e teriam consequências.

Mais cedo, ⁠a agência UKMTO, ligada à Marinha britânica, informou que três petroleiros relataram ter sido atingidos por projéteis desconhecidos no Estreito de Ormuz e nas proximidades nos últimos dias. Não houve comentário imediato de Teerã, nem reivindicação de responsabilidade.

A taxa do DI para janeiro de 2025, que marcou a mínima de 14,015% (-3 pontos-base) às 15h33, pouco antes da notícia sobre a revogação, saltou para a máxima de 14,160% (+12 pontos-base) às 16h15, já após a publicação.

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global ‌para decisões de investimento-- subia 6 pontos-base, a 4,539%.

O noticiário sobre o Oriente Médio azedou uma sessão que, até perto do ‌fechamento, era de baixa leve para as ⁠taxas dos DIs, na esteira de ⁠leilão de títulos com baixo volume realizado pelo Tesouro no fim da manhã.

O Tesouro mais uma vez demonstrou cautela ao ofertar Notas ⁠do Tesouro Nacional -- Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação. O órgão vendeu ‌apenas 150 mil notas no leilão, um ‌volume baixo, semelhante aos 134,4 mil títulos negociados na semana passada. Há duas semanas, o Tesouro nem mesmo ofertou NTN-B em sua operação regular.

Ao vender menos títulos ou mesmo cancelar a oferta semanal de NTN-B, o Tesouro evita corroborar as taxas reais mais elevadas que vêm sendo praticadas no mercado, acima de 8%. O efeito disso na ⁠curva de DIs é de desestimular o avanço das taxas -- daí a desaceleração vista nesta terça-feira após o leilão.

Operador ouvido pela Reuters pontuou que, além das vendas menores de NTN-B, o mercado seguiu reagindo a comentários do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada na sexta-feira.Ceron demonstrou preocupação com a taxa real das NTN-B, alertando que o Tesouro está preparado para atuar no mercado se ‌necessário.

Em reação, as taxas reais das NTN-B para vencimentos como agosto de 2032 e maio de 2035 cederam um pouco desde a última sexta-feira, embora sigam acima dos 8%.

Em março, para reduzir a pressão na curva brasileira em meio à ⁠guerra no Oriente Médio, o Tesouro chegou a promover leilões de recompra de NTN-B -- possibilidade que permeou as mesas nesta sessão.

No leilão regular desta terça-feira, além das NTN-B, o Tesouro vendeu 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos indexados à taxa Selic. O volume foi compatível com o verificado em outras semanas.

No início do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,79% em junho, após uma taxa positiva de 0,87% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam por deflação de 0,60% em junho. No acumulado de 12 meses, a taxa está positiva em 3,59%.

Nas últimas semanas, na esteira dos dados econômicos mais recentes e do discurso do Banco Central, investidores têm elevado as apostas de que a instituição cortará em agosto novamente a Selic, hoje em 14,25% ao ano.

Na sexta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 72% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 25,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Duas semanas antes, em 19 de junho, os percentuais eram de 26% para corte de 25 pontos-base e 68,5% para manutenção.

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