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Concessão sobre redução da tarifa do etanol não está na mesa de negociações com EUA, diz ministro

Chefe do MDIC diz que Itamaraty e Ministério da Justiça tiveram reunião 'proveitosa' com o Escritório de Comércio dos Estados Unidos nesta terça, 7

7 jul 2026 - 16h46
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BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que não está na mesa de negociações com os Estados Unidos nenhum tipo de concessão comercial envolvendo a redução da tarifa do etanol, como sugeriu o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"O presidente Lula defende claramente que esse tema do etanol não seja tratado nessa negociação e mais, não seja tratado sem que nós também tratemos da questão do açúcar, que é sobretaxado nos Estados Unidos", respondeu.

Ele acrescentou que é "uma pena" que algumas pessoas pensem de outro modo e queiram estabelecer um regime paritário entre o etanol brasileiro e o etanol americano, para que o etanol americano possa entrar no País com facilidade.

O secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Elias Rosa
O secretário de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Elias Rosa
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

Em seguida, Márcio Elias disse que o Brasil vem negociando esse tema com muito cuidado, pois trata-se de um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do País. "A abertura do mercado do etanol norte-americano colocaria um risco, sobretudo, a produção do etanol no Nordeste do País. E a gente precisa ter um olhar muito cuidadoso para essa área", sustentou, sustentando que o setor sofre com uma redução de preços.

"Em relação ao açúcar, ele sofre uma sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Então, nós não podemos dissociar uma cadeia com uma discussão da outra, porque todos estão ligados, é a mesma cadeia produtiva. Daí a importância de que nós, se possível, fiquemos com essa posição que o governo brasileiro tem em relação ao etanol", disse.

Tivemos reunião proveitosa com Escritório de Comércio dos EUA, diz ministro

O ministro disse que a pasta, o Itamaraty e o Ministério da Justiça tiveram hoje nova reunião com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

"Nós tivemos uma conversa bastante proveitosa, de natureza técnica, dando seguimento à última conversa que tivemos na quinta-feira", afirmou Elias a jornalistas. Dos EUA, estava presente o representante do USTR, embaixador Jamieson Greer.

A nova rodada de conversas ocorreu no segundo dia da audiência promovida pelo USTR para tratar da proposta de sobretaxa ao Brasil, realizada em Washington.

"Nós dividimos as discussões em tópicos e hoje nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito ao governo norte-americano para que nós ganhamos uma atuação integrada no combate ao crime transnacional, ao crime organizado e há um reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto", completou o ministro do MDIC.

Ele recordou que o governo brasileiro já havia apresentado alguns pontos dessa proposta durante visita do presidente Lula ao presidente Donald Trump e hoje os ministros detalharam um pouco mais esse plano bilateral.

Segundo Márcio Elias, a reunião deverá ter sequência ao longo desta semana, até o início da próxima. "O tempo corre contra nós, dia 15 está logo aí na próxima semana, mas a expectativa é que nós tenhamos, pelo menos, mais uma reunião técnica, um pedido técnico, e a reunião com um pouco mais de natureza política, coordenação, ainda nesta semana, no início da semana que vem", disse.

Em relatório preliminar divulgado em 1º de junho, o USTR sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção de grande parte dos produtos agropecuários. A audiência realizada nesta semana nos EUA integra as etapas finais da investigação feita pelo governo americano. A decisão sobre a eventual implementação das medidas está prevista para 15 de julho.

O ministro evitou falar sobre a participação de Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública. "Eu prefiro não falar absolutamente nada. Eu prefiro falar, absolutamente, apenas aquilo que, de fato, está ocorrendo, que é essa representação importante para a negociação", respondeu a jornalistas ao ser questionado se a atuação do senador poderia prejudicar o trabalho das autoridades brasileiras na negociação com os EUA. "Nós devemos focar agora, o prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo para o Brasil", prosseguiu.

Questionado sobre o fato de o senador Flávio Bolsonaro ter tocado na questão do Banco Master na audiência de hoje, o ministro disse não ter tido conhecimento disso. E afirmou que o que importa são as participações de setores produtivos brasileiros empenhados na negociação. "Essas participações de brasileiros comprometidos com a questão econômica do Brasil é que tem, de fato, real valia", defendeu.

O pré-candidato ocultou, porém, a própria relação que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio tratou diretamente com o dono do Banco Master o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro.

Lula orientou que governo não abandone negociações com EUA

O ministro afirmou que a principal orientação do presidente Lula é que o governo brasileiro não saia da mesa de negociação com os Estados Unidos em momento algum. "E não permitiremos jamais que um tema que não diga a respeito a relação comercial, a relação econômica ou a relação política que o Brasil sempre teve com os Estados Unidos, deixe de presidir ou orientar as conversas", frisou o ministro.

Segundo Elias, não há espaço para discussão de outra natureza, "política, eleitoral, egoística, qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil, a defesa da soberania e a defesa dos reais interesses do Brasil".

Sobre a audiência pública realizada entre ontem e hoje no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o ministro informou que grande parte dos setores produtivos brasileiros presentes já estiveram com o governo brasileiro e hoje voltaram a fazer contato.

"Nós temos alguns setores produtivos presentes que foram defender a posição brasileira, defender os interesses do Brasil e têm, obviamente, dialogado conosco. Fizeram isso antes, fizeram isso hoje e nós estamos acompanhando. Avaliamos com muito positivo o fato de que os setores produtivos brasileiros, as representações, a CNI, dentre outros, tenham participado defendendo a nossa posição contrária às tarifas, contrária à imposição da tarifa, a indicação da absoluta injustiça que representa a própria Seção 301, o não cabimento das recomendações que foram expedidas".

Questionado se a audiência tem algum potencial de reverter a situação, ele ressaltou que são reuniões de escuta, para embasar as decisões. "Hoje não tem nenhum papel decisório. A audiência pública não é para tomar decisão, a audiência pública é para compor só o quadro de instrução".

Estadão
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