'Não tinha nenhunzinho do governo', critica Flávio Bolsonaro após audiência nos EUA sobre tarifas
Senador e pré-candidato à Presidência acusou Lula de usar tarifaço para obter vantagem política e que China absorveu exportações brasileiras após tarifaço
BRASÍLIA - O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta terça-feira a ausência de integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, para debater as tarifas norte-americanas a produtos brasileiros.
"É impressionante como tinha todo mundo lá: os defensores das empresas, dos produtos brasileiros, advogados, empresários, mas não tinha ninguém, nenhunzinho, do governo escalado para fazer a defesa", declarou, em vídeo divulgado após seu discurso.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, o governo Lula não vai enviou representantes do corpo diplomático e comercial para a audiência. Segundo pessoas próximas ouvidas pela reportagem, o governo entende que o encontro é feito para ouvir entidades que seriam afetadas pelas novas tarifas, como organizações e empresas.
Flávio acusou Lula de usar as tarifas para obter vantagem política. "Explicamos que o único que quis essa tarifa no Brasil é o Lula, achando que isso pode ter algum benefício eleitoral para ele", continuou.
O senador mostrou sua mão com "PT: Tax Party" ("PT: Partido da Taxa", em tradução literal) escrito à caneta na mão, em uma emulação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que costumava anotar mensagens na mão antes de debates.
A Seção 301 é um instrumento utilizado pelo governo americano para investigar e, eventualmente, aplicar sanções comerciais a países acusados de adotar práticas consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses das empresas dos Estados Unidos.
No caso brasileiro, a investigação cita temas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, tarifas consideradas "injustas e preferenciais", medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.
Além de Flávio Bolsonaro, também participaram da audiência representantes do setor produtivo brasileiro como o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e ex-embaixador Roberto Azevêdo, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).
Flávio diz que China absorveu exportações brasileiras após tarifaço
Flávio Bolsonaro disse na audiência que a China absorveu as exportações brasileiras que iam para os Estados Unidos, após a imposição de tarifas.
"O comércio do Brasil com a China atingiu o recorde de US$ 107 bilhões, mais que o dobro dos US$ 83 bilhões registrados nas trocas com os Estados Unidos. A China absorveu as exportações brasileiras que foram deslocadas do mercado americano por essas tarifas. Em outras palavras, cada tarifa adicional fortalece justamente o alvo que se pretendia pressionar", declarou o senador em inglês, em áudio do discurso obtido pelo Estadão/Broadcast. O discurso durou cerca de cinco minutos.
Flávio defendeu mais tempo de negociação - as novas tarifas de 25% passam a valer em 15 de julho, quando uma decisão final será tomada pelo governo americano quanto às supostas práticas desleais cometidas pelo Brasil no âmbito da investigação comercial sob a seção 301. Segundo o senador, uma taxação agora viria em um período ruim, às vésperas da eleição.
"Em apenas 90 dias, o cenário político do país estará completamente diferente, portanto, impor uma tarifa agora - medida difícil de reverter, que recompensaria os responsáveis pelas ações em questão e puniria aqueles que não as provocaram - seria a pior decisão possível", falou.
Senador volta a criticar Lula
Flávio Bolsonaro voltou a usar seu discurso para atacar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que uma "tarifa de 25% penalizou todo o povo brasileiro", exceto os "responsáveis por essas decisões". Flávio tem usado a sobretaxação para acusar o governo de omissão, por não enviar representantes para uma negociação.
O senador disse que o Brasil sofre de censura e afirmou que a corrupção tornou-se uma "característica marcante da esquerda política brasileira".
"Os quatro maiores escândalos de corrupção da história recente do Brasil, o esquema do Mensalão, o caso revelado pela Operação Lava Jato, a fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na qual o próprio filho do presidente Lula está entre os investigados, e o caso do Banco Master ocorreram sob governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores, o partido que se manteve no poder", continuou Flávio.
O pré-candidato ocultou, porém, a própria relação que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio tratou diretamente com o dono do Banco Master o repasse de R$ 134 milhões para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro.
O senador defendeu o governo de Jair Bolsonaro, sustentando que o Brasil passou quatro anos sob a presidência de Bolsonaro "sem um único escândalo de corrupção comprovado".
Flávio ainda defendeu o Pix e disse que o sistema não ameaça as empresas norte-americanas. "Esse avanço também beneficiou diretamente empresas americanas, uma vez que as transações globais realizadas por meio de cartões emitidos por bancos dos EUA continuam a crescer paralelamente à ampla adoção dessa modalidade, visto que tais empresas prestam serviços que complementam, em vez de competir com o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil", continuou.
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