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Taiwan demonstra força na "diplomacia dos chips" enquanto enfrenta pressão para compartilhar benefícios da IA

7 set 2026 - 07h39
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Resumo
Taiwan usou a feira Semicon para reforçar sua diplomacia dos chips, posicionando-se como parceiro democrático vital na era da IA. Sob pressões geopolíticas de Pequim e demandas dos EUA e da União Europeia por descentralização fabril, a ilha acelera investimentos no exterior, incluindo aportes bilionários em solo americano pela TSMC para mitigar ameaças tarifárias. Diante do cenário global, líderes da indústria taiwanesa admitem que expandir a produção além de suas fronteiras tornou-se inevitável.

Taiwan demonstrou sua força na "diplomacia dos chips" em uma ‌importante feira comercial na semana passada, apresentando-se como um fornecedor democrático e confiável para a revolução da IA, ao mesmo tempo em que sinalizou disposição para compartilhar os benefícios de sua excelência em chips com parceiros que compartilham dos mesmos ideais.

Sede de empresas como a TSMC, cujos chips equipam aplicações de IA, Taiwan, há muito busca aproveitar sua capacidade tecnológica para angariar ⁠apoio internacional, algo que Pequim procura impedir, alegando que a ilha é apenas uma de suas ‌províncias.

Mas Taiwan também enfrenta pressão dos Estados Unidos, seu mais importante apoiador internacional e fornecedor de armas, para transferir mais produção de chips para lá. Isso ocorre no momento em ‌que a TSMC está investindo US$265 bilhões em fábricas no ‌estado do Arizona.

O presidente Lai Ching-te, que, de forma incomum, discursou em dois eventos ⁠distintos no mesmo dia na feira Semicon Taiwan, afirmou que as empresas taiwanesas estão se expandindo globalmente para "deixar que a resiliência gere prosperidade compartilhada" e que a força da ilha no setor de chips se baseia na democracia e no Estado de Direito.

O ministro da Economia, Kung Ming-hsin, ao inaugurar o pavilhão dos EUA na feira, disse que as empresas taiwanesas estavam ‌planejando um investimento adicional de US$20 bilhões no país.

TARIFAS SOBRE CHIPS

Taiwan fechou um acordo com Washington no ‌início deste ano para aumentar ⁠os investimentos nos EUA ⁠em troca da redução das tarifas de exportação, mas a incerteza persiste.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard ⁠Lutnick, disse à CNBC na semana passada que ‌tarifas sobre chips estavam a caminho ‌para empresas que não fabricam chips nos EUA.

Ainda assim, Bill Frauenhofer, uma autoridade do Departamento de Comércio responsável pelo acordo tarifário com Taiwan, mostrou-se otimista durante a Semicon.

"A parceria fenomenal" entre Taiwan e os EUA estava dando certo, disse ele.

As empresas taiwanesas reconhecem ⁠a necessidade de expandir a fabricação para além da ilha.

Young Liu, presidente da Foxconn , maior fabricante de servidores de IA da Nvidia , disse que as empresas agora precisavam "pensar em como fabricar com Taiwan, não em Taiwan; fabricar com Taiwan no país onde está o mercado".

Respondendo a Liu durante o painel de discussão, Tien Wu, ‌diretor de operações da ASE , a maior fornecedora mundial de encapsulamento e teste de chips, disse que concordava.

"Politicamente, é a coisa certa a se fazer", disse Wu. "E, sinceramente, não acho ⁠que tenhamos escolha a não ser fazer isso."

UE TAMBÉM QUER INVESTIMENTOS

Taiwan também busca aprofundar os laços com a União Europeia, que, da mesma forma, deseja maiores investimentos de empresas taiwanesas. O bloco enviou Kilian Gross, uma autoridade da Comissão Europeia, à Semicon para apresentar a Lei dos Chips 2.0 do bloco a autoridades e empresas taiwanesas.

Taiwan tem buscado uma cooperação mais estreita com a UE não apenas porque ambos apoiaram fortemente a Ucrânia na guerra contra a Rússia, mas também porque ambos enfrentam disputas comerciais e diplomáticas com a China.

O vice-ministro das Relações Exteriores, François Wu, um dos diplomatas mais proeminentes de Taiwan, afirmou na inauguração do pavilhão francês que Taiwan e a França compartilham os valores da democracia, da liberdade e do compromisso com uma ordem internacional baseada em regras.

"Usamos a tecnologia para nos conectarmos com o mundo, não para controlá-lo", acrescentou.

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