Saiba como as incubadoras ajudam empresas a crescer
Empresas, assim como bebês, nascem com mais segurança quando são ajudadas. Assim, pode-se dizer que uma incubadora de empresas é análoga a uma incubadora de bebês, conforme explica Elaine Maria Souza, gerente da unidade de inovação e competitividade do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Goiás. "O objetivo é ajudar empresas que estejam dando os primeiros passos", conta. Segundo ela, é comum potenciais empreendedores chegarem às incubadoras com apenas uma boa ideia na cabeça. Com a ajuda que recebem, conseguem transformá-la em um negócio consolidado e sustentável.
No Brasil, existem cerca de 400 incubadoras - a maior parte delas ligadas a universidades - que contam com 3.200 empresas incubadas. Os dados são de Sergio Risola, diretor executivo do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) - incubadora ligada à Universidade de São Paulo (USP).
"A missão da incubadora é ajudar a criar empresas mais organizadas, que possam viver mais e melhor. O país e a sociedade ganham com isso", aponta Risola. Segundo ele, a taxa de mortalidade de uma empresa incubada no Cietec é de 20%, percentual inferior ao de empresas que não contaram com a ajuda de uma incubadora.
Além do desenvolvimento da ideia do negócio, é também nesses espaços que muitos viram empreendedores de fato. "A maior parte dos que se interessam pelas incubadoras são alunos e ex-alunos das faculdades. Eles têm um projeto inovador, mas ainda precisam aperfeiçoar o enfoque empresarial", diz Elaine.
Depois de passar pelo período de incubação, a empresa é graduada e pode usar isso como maneira de agregar valor ao seu produto ou serviço. De acordo com a gerente do Sebrae-GO, o mercado já reconhece a preparação de qualidade pela qual a empresa passou e dá credibilidade aos iniciantes.
"As incubadoras são uma caminho sem volta para o Brasil. O governo e a iniciativa privada já sabem como elas são importante para alavancar negócios, principalmente os de 'pegada' inovadora", diz Elaine.
Prova disso é que não apenas as universidades - que são tradicionalmente centros de pesquisa e inovação - têm feito o seu papel. Em Goiás, o Sebrae tem projetos específicos para apoiar as incubadoras, oferecendo ajuda para a captação de recursos e fornecendo consultores para dar suporte aos incubados, por exemplo.
De acordo com Risola, a maior parte das cidades com 100 mil habitantes ou mais já possuem incubadoras. O desafio, agora, é levar estes centros para os municípios menores a fim de fomentar o empreendedorismo local.
Saiba como ser incubado no Cietec
O Cietec é uma incubadora de base tecnológica. Dessa forma, o interessado em participar deve ter uma ideia inovadora que se enquadre em uma das seguintes áreas: tecnologia da informação (TI), biotecnologia, nanotecnologia, medicina e saúde, meio ambiente e eletroeletrônica.
Em um primeiro momento não é necessário apresentar uma estrutura muito clara de como a ideia será transformada em negócio. Após a triagem feita pela equipe do Cietec, os empreendedores escolhidos - sempre aos pares - têm o período de um mês para elaborar o plano de negócios. Quinze dias são contados dentro da incubadora, com a consultoria dos professores. A partir disso é que será decidido se aquela ideia será ou não incubada.
O processo todo dura quatro meses. De acordo com Risola, a cada quadrimestre cerca de 100 empresas pleiteiam uma vaga na incubadora, mas apenas 15 são incubadas de fato - após passar pelas análises.
"O critério é descobrir se aquela ideia é de fato inovadora e se é possível, com ela, gerar negócio no menor tempo possível", afirma Risola. Segundo o executivo, 80% das empresas incubadas nascem, de fato, na incubadora. Por isso "hospedam-se" dentro das dependências do Cietec e pagam uma taxa de R$ 1 mil por mês.
Durante os três ou quatro anos em que fica incubada, a empresa recebe consultoria jurídica, fiscal, contábil, de recursos humanos e marketing, por exemplo. Há também a possibilidade de que participe em feiras de negócios, inclusive internacionais.
Atualmente, 136 empresas estão incubadas no Cietec. Ao todo, são mais de 800 empreendedores circulando diariamente pelas imediações do centro. "A possibilidade de networking também é grande", comenta Risola.
É essencial que durante o período de incubação as empresas comecem a operar. Isso significa que precisam ir ao mercado - para comercializar seus produtos ou serviços o quanto antes. É aí que encontram a carga de realidade necessária para testar o conhecimento adquirido e colocarem em prática o que aprenderam.
Cross Content
Especial para o Terra