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Represas de hidrelétricas de Sudeste e Centro-Oeste já operam abaixo do nível do pré-apagão

Água nos reservatórios das usinas recuou a 18,2%, porcentual inferior ao do mesmo período em 2000, de 20,8%; por mais que chuvas venham em outubro, recuperação das usinas começaria apenas em dezembro, diz especialista

17 set 2021 17h00
| atualizado às 20h00
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Sem chuvas e com alta do consumo de energia elétrica, o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste alcançou o menor patamar, pelo menos, desde a crise de 2001, quando ocorreu o maior racionamento da história do Brasil. Em 2000, ano que precedeu o apagão, as represas estavam com 20,8% do armazenamento e, em 2001, já com programa de redução compulsória de energia, em 21,76%. Neste ano, até dia 15 de setembro, último dado do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível era de 18,23%.

Esse porcentual deve continuar em queda até novembro, quando pode romper a barreira de 10% - o que representa um desafio e um risco maior para a operação do sistema. No mercado, a combinação entre o consumo e a baixa dos reservatórios já levanta dúvidas se o governo conseguirá equilibrar oferta e demanda de energia para evitar um racionamento, mesmo que pequeno, da ordem de 5%.

Algumas hidrelétricas estão com o nível de água abaixo de 12%, como são os casos de Água Vermelha, Marimbondo, Nova Ponte, Emborcação e Itumbiara. Juntas elas representam um terço do volume de armazenamento do sistema Sudeste/Centro-Oeste, hoje responsável por 70% do volume de todo País. Mas, apesar da dificuldade de operação e do perigo de danificar as turbinas, algumas usinas conseguem gerar com nível abaixo de 3% - o que não é o ideal.

Em 2017, Sobradinho chegou a 2,7%. Nesta semana, duas usinas (Ilha Solteira e Três Irmãos) apareceram no site do ONS com nível de armazenamento de zero, o que causou enorme burburinho no mercado. Mas as hidrelétricas continuaram funcionando. O operador explicou que o porcentual de armazenamento estava associado a uma cota limite estipulado pela Agência Nacional de Águas (ANA) para que a hidrovia Tietê-Paraná não parasse. Ou seja, ainda há uma folga para as usinas operarem.

A coordenadora de Gestão e Inteligência de Mercado da Safira Energia, Juliana Hornink, afirma que o problema é resultado de quase dez anos de chuvas abaixo da média. Para conseguir retomar o nível do passado, as usinas precisam de um volume de água expressivo. Na bacia do Rio Grande, por exemplo, seria necessário chover mais que duas vezes a média para melhorar a situação. Segundo ela, embora a expectativa seja de que as chuvas já comecem em outubro, a recuperação dos reservatórios só começaria em dezembro e em janeiro já teria de estar com 20%.

A preocupação é se o País chegará até lá sem racionamento ou apagões. A crise atual é de ponta, ou seja, em determinados momentos do dia pode ser que a energia gerada não seja suficiente para atender todos os consumidores ao mesmo tempo. Por isso, o governo lançou o programa de redução voluntária para que as empresas pudessem deslocar o consumo do horário de pico para momentos de menor consumo.

A oferta feita pelas empresas para redução de demanda alcança algo em torno de 237 MW, mas ainda não está em prática. Mas é pouco diante da necessidade do País, de 4 mil MW, seja de energia nova ou de redução de demanda. Apesar disso, ontem o ONS anunciou que a carga do Sistema Nacional deve ter um aumento de 0,4% em setembro de acordo com dados referentes à semana de 11 a 17 de setembro. A previsão anterior era de recuo de 0,2%.

Do lado da oferta, ontem foi inaugurada a segunda maior térmica do País, de 1338 MW, que dará um grande reforço ao sistema. Há expectativa de que outros 400 MW de térmica de biomassa também entrem em operação nos próximos dias. Mas a soma de todos os projetos e da redução da demanda ainda é pouco perto da necessidade. "Na realidade, já estamos em racionamento porque o governo já pediu para reduzir o consumo e aumentou fortemente o preço da energia", diz Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas - uma associação que debate assuntos de sustentabilidade.

Estadão
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