Renault prevê queda de margem em 2026 à medida que pressão de preços prejudica lucro
O Grupo Renault previu margens menores para 2026 nesta quinta-feira, após divulgar uma queda de 15% no lucro operacional no ano passado, o que afetou negativamente suas ações, em um momento em que a montadora enfrenta crescente pressão sobre os preços por parte de rivais chineses e tradicionais.
As ações da Renault caíram quase 6% ao longo do pregão, enquanto o mercado analisava os resultados do grupo, que vem sendo liderado pelo novo diretor executivo, François Provost, desde o verão.
Em julho, a Renault havia alertado para a redução das margens de lucro após a deterioração das condições de mercado no segundo trimestre, particularmente no mercado europeu de vans, onde a marca Renault é líder.
Embora a Renault tenha afirmado que seu negócio de vans voltará a crescer em 2026, a forte concorrência no segmento de carros de passeio deverá continuar, com a chegada de mais marcas chinesas à Europa e a implementação de uma estratégia de vendas agressiva por sua maior rival, a Stellantis, para recuperar participação de mercado.
"No ano passado, vários concorrentes pressionaram bastante nos preços. Essa não é a nossa estratégia", disse Provost a analistas em uma teleconferência, acrescentando que a Renault estava "pronta para enfrentar" a concorrência chinesa com custos mais baixos e um ritmo acelerado de lançamentos de novos modelos, como o novo Clio 6 ou a próxima geração do Twingo.
"Não subestimo a forte pressão chinesa... mas acredito que, com a nossa estratégia e a nossa receita, seremos capazes de sustentar o crescimento na Europa nos próximos anos", acrescentou.
A Renault registrou lucro operacional de 3,6 bilhões de euros em 2025, em linha com a previsão consensual de analistas compilada pela empresa. As pressões sobre os preços foram responsáveis por mais de 700 milhões de euros da queda no lucro.
A empresa registrou uma margem operacional consolidada de 6,3% no ano passado, abaixo do recorde de 7,6% do ano anterior, e afirmou que pretende atingir cerca de 5,5% em 2026 e entre 5% e 7% no médio prazo.
Entretanto, o crescimento nos mercados internacionais ajudou a Renault a aumentar o volume de vendas em 3,2% em 2025, para 2,34 milhões de veículos, e a faturar 57,9 bilhões de euros, um aumento de 3% em relação ao ano anterior.
A empresa aposta no SUV Duster para impulsionar o crescimento dos seus negócios na Índia, ao mesmo tempo que expande na América do Sul, buscando alcançar economias de escala e reduzir a sua dependência da Europa.
Mas a rentabilidade também foi menor nos mercados estrangeiros e a Renault continuará a ter como meta a redução dos custos variáveis em cerca de 400 euros por veículo, disse o diretor financeiro da empresa, Duncan Minto, a jornalistas numa chamada, depois de atingir esse objetivo em 2025.
A Renault reportou um prejuízo líquido anual, em base acionária do grupo, de 10,9 bilhões de euros, seu primeiro prejuízo em cinco anos, em grande parte devido à baixa contábil extraordinária de 9,3 bilhões de euros em julho referente à sua participação na Nissan, sua parceira em dificuldades.
O grupo afirmou que pagará um dividendo de 2,20 euros, inalterado em relação a 2024.
As ações da Renault caíram 25% em 2025 e acumulam queda de cerca de 8% no ano, menos que as da Stellantis, que acumula queda de 30%.