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Bolsa e Planalto: os mitos ideológicos e as taxas de juros

Apesar das expectativas, o desempenho do Ibovespa no terceiro mandato de Lula foi inferior à média de seus antecessores, destacando a influência dos fundamentos macroeconômicos sobre a política

19 fev 2026 - 15h52
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O debate sobre o comportamento do Ibovespa em diferentes mandatos sugere que o Executivo tem menos peso do que os fundamentos macroeconômicos. O ano de 2025 reforçou essa tese: apesar das expectativas, o desempenho nos primeiros cem dias do terceiro mandato de Lula foi inferior à média de seus antecessores.

Embora Lula tenha sido historicamente próximo à Bolsa — sendo o único candidato a visitá-la na campanha de 2002 —, gestos atuais, como a demora em preencher vagas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sugerem um distanciamento interpretado pelo mercado como desprestígio ao órgão regulador.

Contudo, o alinhamento ideológico não garante retornos. Jair Bolsonaro, declaradamente liberal, entregou um ganho anualizado de 6,2% (2019-2022). Fernando Henrique Cardoso, com equipe ortodoxa, encerrou mandatos com números discretos (8% e 5%). Paradoxalmente, o melhor desempenho recente ocorreu sob Michel Temer, marcado por reformas de transição.

Em janeiro de 2026, enquanto o fluxo externo buscou oportunidades pontuais, o investidor local permaneceu reticente, atraído por papéis de renda fixa com taxas na casa de 15%
Em janeiro de 2026, enquanto o fluxo externo buscou oportunidades pontuais, o investidor local permaneceu reticente, atraído por papéis de renda fixa com taxas na casa de 15%
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

A experiência de 50 anos de mercado aponta a taxa de juros como o principal fator para a inércia da Bolsa. Em janeiro de 2026, enquanto o fluxo externo buscou oportunidades pontuais, o investidor local permaneceu reticente, atraído por papéis de renda fixa com taxas na casa de 15%. Sem taxas atrativas na renda variável — como os 6% vistos no governo Temer —, o mercado de IPOs segue paralisado.

Como mercado emergente, o Brasil é refém do contexto global. O apetite por risco é ditado pelo Federal Reserve (Fed); cortes de juros nos EUA costumam atrair capital estrangeiro. Internamente, esse fluxo exige estabilidade institucional. Tensões entre Poderes, incertezas fiscais e o descompasso entre metas de inflação e a Selic elevam o prêmio de risco, afastando o capital de longo prazo.

Não se pode ignorar a concentração do Ibovespa em commodities (Petrobras e Vale) e bancos (Itaú). O índice reflete os preços globais de minério e petróleo. No front político, o foco volta-se para as eleições de governadores e para a sucessão presidencial, num cenário de dessintonia entre Executivo e Legislativo, agravado por ruídos como o caso Master.

É conhecido o jargão de que a Bolsa reage pelo boato e não pelo fato. Em suma, o desempenho da Bolsa não possui correlação linear com a matriz ideológica do presidente. O valor das empresas é moldado pela disciplina fiscal, política monetária dos EUA e atratividade dos juros domésticos. A decisão de investir deve ser técnica, e não baseada em especulações ideológicas.

Estadão
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