Taxas dos DIs sobem após atividade econômica cair menos que o esperado em dezembro
As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em alta, após o Banco Central informar que a atividade econômica no Brasil teve uma retração menor que a esperada em dezembro, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries viraram para o negativo no fim da tarde.
A taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,61% no fim da tarde, em alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 12,592% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,445%, com elevação de 11 pontos-base ante 13,339%.
O Banco Central informou na abertura da sessão que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma espécie de prévia para o Produto Interno Bruto (PIB), cedeu 0,2% em dezembro ante novembro, na série com ajuste sazonal. A retração foi inferior à baixa de 0,5% projetada por economistas em pesquisa da Reuters.
Em 2025, o IBC-Br acumulou alta de 2,5% pela série sem ajuste sazonal e, no quarto trimestre do ano passado, elevação de 0,4% ante o trimestre anterior, pela série ajustada.
Na esteira dos dados, o economista Antonio Ricciardi, do Daycoval, avaliou que, com a atividade resiliente e o impulso da isenção do Imposto de Renda sobre a atividade no primeiro trimestre de 2026, faz mais sentido para o Banco Central cortar a Selic em apenas 25 pontos-base em março, e não em 50 pontos-base. Atualmente a Selic está em 15%.
Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 12,640% às 11h49, em alta de 5 pontos-base. No mesmo horário, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava na máxima de 13,460%, com elevação de 12 pontos-base.
Naquele momento, os rendimentos dos Treasuries subiam no exterior, o que também dava suporte à curva brasileira. No fim da tarde, os rendimentos dos títulos norte-americanos haviam perdido força. Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1 ponto-base, a 4,071%.
Os títulos norte-americanos precificavam no fim da tarde em 94,1% a chance de o Federal Reserve manter sua taxa de referência na faixa entre 3,50% e 3,75% em março, contra 5,9% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch.
No Brasil, as opções de Copom negociadas na B3 precificavam na sexta-feira antes do Carnaval -- dado mais recente -- 75,75% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 17% de chance de redução de 25 pontos-base e 3,50% de possibilidade de manutenção.
Para a reunião seguinte, de abril, a precificação era de 64,79% de chance para corte de 50 pontos-base, contra 22,91% de probabilidade de redução de 75 pontos-base.