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Porto de Itaqui é rota mais curta para Ásia

Complexo portuário faz parte do Corredor Norte, mas não tem vocação para zona franca

19 set 2019
04h11
atualizado às 07h29
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Com 13 terminais e 21 empresas instaladas, o Porto de Itaqui tem ganhado relevância dentro da estratégia das empresas de exportar seus produtos pelo Norte do País - caminho mais rápido para a Ásia, por exemplo. No ano passado, foram movimentadas 22 milhões de toneladas só no porto público, sem considerar os terminais instalados nas proximidades, como o Ponta da Madeira - da Vale -, um dos maiores exportadores de minério do mundo.

A localização e as boas condições da baía têm chamado a atenção dos investidores. No ano passado, por exemplo, os chineses compraram o projeto de construção do Terminal de São Luís, para movimentação de fertilizantes, granéis líquidos e carga geral, sobretudo celulose. O empreendimento deve custar R$ 1,7 bilhão. Há ainda outro R$ 1,2 bilhão em obras de expansão em andamento e novas licitações que serão feitas dentro do porto.

Mas esse potencial do complexo não significa que esteja habilitado para ser uma zona franca de exportação, como propôs o relator da reforma tributária, Roberto Rocha (PSDB-MA). Essa não é a vocação do porto, afirma um especialista no setor que prefere não se identificar. Para ele, não faz sentido essa decisão, uma vez que o porto é exportador, sobretudo, de commodities, como minérios e grãos. O mercado mundial quer a soja, não o derivado do grão, diz o especialista.

Além disso, afirmam outros executivos, o momento atual não é propício a esse tipo de discussão. Até a Zona Franca de Manaus, já consolidada no País, tem sido alvo de questionamentos por parte de integrantes do governo. No Porto de Itaqui, dizem fontes do setor, a discussão tem de ir na direção da expansão e no desenvolvimento de novos terminais.

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, Celso Gonçalo, ainda é muito prematuro debater se o Porto do Itaqui tem ou não condições de suportar uma transformação de São Luís em uma espécie de "zona franca". "Só a concretização dos negócios trariam a real necessidade de ampliação e melhorias no Porto."

Mas a proposta, vista como jogo político, tem adeptos locais. Na avaliação deles, o porto tem as condições para receber um projeto como a zona de processamento. O presidente do Sindicato das Indústrias Ferro Gusa do Maranhão, Claudio Azevedo, lembra que a zona portuária é ligada por três ferrovias - Norte-Sul (da VLI), Estrada de Ferro Carajás (Vale) e a Transnordestina - ou seja, permite uma ligação do mercado interno para o externo.

Estadão
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