Por que os preços das passagens aéreas não baixam? Leia artigo
Há outras razões que contribuem para a precificação dos bilhetes que são totalmente alheias à Petrobras
Os preços do querosene de aviação (QAV) - combustível usado para abastecer aviões e helicópteros com turbinas a jato - têm apresentado uma queda significativa em 2023, acumulando uma redução de 35% até o momento. Apesar disso, o preço das passagens aéreas não tem acompanhado essa trajetória de declínio, levantando questionamentos sobre os fatores que influenciam esse cenário.
Segundo dados das companhias aéreas, o QAV representa de 30% a 40% do seu custo total. Diante disso, seria de esperar que a queda nos preços do combustível de aviação refletisse diretamente na tarifa dos voos - mas a realidade é outra. E a pergunta que não quer calar: por que isso acontece? Quem se apropria da redução, impedindo-a de chegar ao consumidor?
A estratégia é antiga, mas às vezes ainda cola: culpa-se a Petrobras para mobilizar a opinião pública enquanto diversos atores na cadeia de distribuição preservam suas margens. A economia fica por conta da Petrobras, mais sensível a críticas por se tratar de uma companhia de capital misto, uma estatal, em um movimento de pressão que seria inexistente se a empresa privada fosse.
Além disso, o contrato celebrado entre a Petrobras e as companhias distribuidoras que, por sua vez, atendem as companhias aéreas, oferece a opção de compra do QAV com um preço fixo por determinado período, previamente definido entre as partes. Nesse caso, os envolvidos estabelecem um preço fixo para um período superior a um mês, garantindo assim a estabilidade dos preços por maior tempo para um determinado volume negociado. São as regras do mercado, com contratos firmes fica mais fácil oferecer preços mais competitivos. É um jeito de buscar por preços melhores com razoabilidade, sem perder de vista a lógica econômica.
*Presidente da Petrobras; e diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras