PIB confirma estabilidade da economia, que deve permanecer no 4º trimestre
Após esse período de estabilidade, economia brasileira deve mostrar taxas moderadamente maiores, com crescimento médio trimestral de 0,5% no primeiro semestre de 2026
O resultado do PIB confirmou a expectativa de desaceleração adicional da economia no 3º trimestre, como reflexo em especial do ajuste das condições monetárias, tendo em vista a necessidade de redução da inflação e convergência à meta, além dos efeitos diretos e indiretos do contexto global mais complexo e protecionista. A expectativa é que o último período do ano seja marcado também por estabilidade, com a economia crescendo 2,3% no ano.
De forma geral, observam-se setores mais sensíveis ao crédito e à competição global com maior tendência de desaceleração, em contraposição ao desempenho bastante positivo dos setores agropecuário e extrativo no ano até o momento.
Para os próximos meses, os segmentos da agropecuária e da indústria extrativa sinalizam esgotamento de contribuição, diante da menor produção sazonal de grãos e do arrefecimento da expansão de petróleo e minério, enquanto a dinâmica de perda de tração de segmentos como indústria de transformação e segmentos de serviços — e, do lado da demanda, o consumo das famílias e investimentos — deve se sustentar.
É fato que, do lado da demanda, chama a atenção a perda mais expressiva de tração do consumo das famílias, considerando também a revisão da série histórica feita pelo IBGE, apesar da resiliência do mercado de trabalho. Esse quadro evidencia que o canal do crédito, com concessões mais limitadas e alta da inadimplência, além da inflação de serviços elevada têm sido contrapontos importantes.
Para os próximos trimestres, de qualquer forma, ainda que com moderação adicional do mercado de trabalho, a expectativa é que o efeito de programas sociais como Luz para Todos e Gás para o Povo), da reforma da renda e medidas voltadas ao setor imobiliário limitem a tendência de desaceleração do consumo.
Para 2026, a estimativa é de crescimento de 1,8%, considerando que as medidas do governo com os efeitos da reforma da renda devem adicionar entre 0,3 e 0,4 ponto porcentual na taxa de crescimento do próximo ano. Após esse período de estabilidade nos últimos trimestres de 2025, a economia deve mostrar taxas trimestrais moderadamente maiores, com crescimento médio trimestral de 0,5% no primeiro semestre de 2026.