Momento decisivo para o agro na relação Brasil-EUA
A SRB reitera que o Brasil mantém práticas comerciais e ambientais consistentes e que quaisquer medidas restritivas unilaterais contra produtos brasileiros podem afetar os EUA
Representantes do setor privado do Brasil estão em Washington, nos Estados Unidos, neste início de semana, para tratar das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
Trata-se de uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que vai abordar a chamada investigação da "Seção 301".
Os EUA questionam políticas e práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — em especial o Pix, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
O agronegócio está em alerta em relação a este importante debate, marcando presença na capital norte-americana. A Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade com mais de 100 anos de história e pioneira na representação de produtores rurais, está submetendo ao USTR uma resposta formal à investigação.
Um dos recados principais é lembrar que EUA e Brasil colaboram para abastecer o mundo com produtos voltados para enfrentar a insegurança alimentar e reduzir a instabilidade no suprimento global de alimentos.
O Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas e mantém relações comerciais de exportação com mais de 200 países, incluindo a mais antiga parceria comercial com os EUA.
Na relação entre os dois países, há um superávit comercial para os EUA. O Brasil é o 9º maior destino das exportações dos EUA, enquanto ocupa o 18º lugar entre os exportadores para a América do Norte.
É crucial para a economia dos EUA reconhecer que a relação comercial é necessária para manter a estabilização do poder de compra dos cidadãos americanos, para comerem melhor e com alta qualidade, através de uma parceria forte.
O Brasil exportou US$ 12,1 bilhões em produtos agrícolas para os EUA em 2024 (soja, café, carne bovina, suco de laranja, açúcar), mantendo os preços dos alimentos acessíveis para as famílias americanas.
Já os Estados Unidos exportaram US$ 54,38 bilhões em mercadorias para o Brasil em 2025, incluindo máquinas, fertilizantes, defensivos e tecnologia agrícola que impulsionam a produtividade das fazendas brasileiras. O Brasil é o nono maior destino das exportações americanas.
Uma narrativa de perdas comerciais não condiz com uma balança favorável a quem aplica a tarifa.
O Brasil mantém uma política comercial transparente e não discriminatória, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e seus compromissos internacionais.
Nossa legislação ambiental é uma das mais rigorosas do mundo, estabelecendo parâmetros para preservação e uso sustentável da terra que, em muitos casos, superam as exigências internacionais.
Aproximadamente 66% do território do país permanece coberto por vegetação nativa, e o Código Florestal Brasileiro exige a manutenção de áreas de preservação permanente e reservas legais, mesmo em propriedades privadas. Em alguns biomas, como na Amazônia, o produtor rural deve preservar 80% de sua propriedade e só utilizar os 20% restantes para a atividade agropecuária.
Estes dados de preservação foram confirmados pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), indicando que apenas 7,6% das terras brasileiras são usadas para cultivo agrícola. Além disso, os dados recentes de monitoramento por satélite mostram que o desmatamento vem caindo por três anos consecutivos no Brasil, sem relação com o aumento da produção agrícola.
Brasil e EUA não competem. Eles completam as cadeias de suprimento um do outro.
Uma tarifa que enfraquece a agricultura brasileira enfraquece, ao mesmo tempo, os exportadores de insumos americanos, os fabricantes de máquinas americanos e os consumidores americanos.
A SRB reitera que o Brasil mantém práticas comerciais e ambientais consistentes com seus compromissos internacionais, e que quaisquer medidas restritivas unilaterais contra produtos brasileiros podem afetar o cidadão e a economia dos EUA. Tal ação, caso venha a ser adotada, representa uma barreira comercial injustificada, com impactos negativos para os consumidores e para o comércio bilateral.
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