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Audiência nos EUA foi produtiva e reforçou defesa do café solúvel, diz Matos, do Cecafé

'O nosso primeiro diagnóstico é, comparado com o ano passado, um clima melhor, um clima mais produtivo, um clima menos tenso', afirmou

6 jul 2026 - 17h25
(atualizado às 17h26)
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A audiência pública promovida nesta segunda-feira, 6, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação da Seção 301 contra o Brasil, ocorreu em um ambiente "mais produtivo" e com discussões técnicas mais aprofundadas do que as realizadas no ano passado, avaliou o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos. Em áudio enviado à reportagem do Estadão/Broadcast, o executivo afirmou que houve uma maior compreensão, por parte das autoridades norte-americanas, sobre a importância do café brasileiro e, principalmente, do café solúvel para a indústria dos Estados Unidos.

"O nosso primeiro diagnóstico é, comparado com o ano passado, um clima melhor, um clima mais produtivo, um clima menos tenso", afirmou. Segundo ele, a mudança não decorre de uma melhora no ambiente político, mas de um maior engajamento do setor privado brasileiro e norte-americano. "O setor privado está melhor engajado. Fez um trabalho de melhor entendimento das coisas", disse.

'Eles queriam entender melhor o café solúvel como um ingrediente para a indústria dos Estados Unidos', diz Matos, do Cecafé
'Eles queriam entender melhor o café solúvel como um ingrediente para a indústria dos Estados Unidos', diz Matos, do Cecafé
Foto: Reprodução/LinkedIn / Estadão

Matos destacou que um dos principais temas discutidos foi o pedido para que o café solúvel seja incluído na lista de exceções tarifárias da investigação. Segundo ele, representantes do Cecafé, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e da National Coffee Association (NCA) defenderam de forma conjunta a manutenção da isenção para o café verde e o torrado e moído, além da ampliação do benefício ao café solúvel.

"Todos nós, Cecafé, Abics e NCA fomos nessa linha", afirmou. De acordo com o executivo, os integrantes do painel buscaram compreender o papel do café solúvel como ingrediente utilizado pela indústria norte-americana, especialmente em produtos de maior valor agregado. "Eles queriam entender melhor o café solúvel como um ingrediente para a indústria dos Estados Unidos, seja pela agregação de valor, pela estabilidade de preços e pela preparação de diferentes tipos de bebidas", relatou.

Na avaliação do dirigente, as perguntas dos representantes do governo norte-americano foram significativamente mais técnicas do que as da audiência realizada em 2025. "Foi completamente diferente das perguntas mais genéricas, com desconhecimento de causa. Não teve desconhecimento de causa, teve perguntas para se compreender melhor o processo", afirmou.

Segundo ele, os participantes também elogiaram o fato de representantes brasileiros e norte-americanos do setor cafeeiro apresentarem uma posição convergente durante as discussões. "Todos elogiaram o fato de ter Brasil e Estados Unidos juntos, explicando as coisas", disse.

Matos também comentou que os debates mais duros ficaram concentrados nos painéis sobre pecuária e etanol. Segundo ele, representantes brasileiros da Sociedade Rural Brasileira e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) responderam aos questionamentos de forma técnica. Ele relatou, por exemplo, que representantes dos pecuaristas norte-americanos foram questionados se teriam capacidade de abastecer sozinhos o mercado dos Estados Unidos e "não conseguiram responder".

Apesar das divergências em alguns setores, o executivo afirmou sair da audiência com uma avaliação positiva sobre o momento das negociações. "A gente sente que estamos trabalhando dentro de uma janela de oportunidade e que as coisas estão melhor explicadas. Isso faz uma grande diferença", concluiu.

Estadão
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