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Preços do café e do cacau disparam enquanto investidores reavaliam risco do El Niño

6 jul 2026 - 16h26
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Os ‌preços do café e do cacau — ingrediente utilizado na fabricação de chocolate — dispararam nesta segunda-feira, com fundos comprando agressivamente e alguns operadores de commodities fechando suas posições vendidas, à medida que os participantes do mercado reavaliavam os riscos associados a um evento climático conhecido como "super El Niño".

Os contratos futuros do café ⁠arábica — a variedade suave preferida por redes de café de luxo, como Starbucks ‌e Tim Hortons — subiram 16% na bolsa ICE, para fechar a US$3,49 por libra-peso, tendo atingido anteriormente sua maior cotação desde janeiro, a US$3,57.

Foi o ‌quarto maior ganho diário já registrado para o ‌café arábica.

Os preços do café robusta , usado principalmente na produção de ⁠café instantâneo e bebidas à base de expresso, fecharam com alta de 8,8%, para US$4.044 por tonelada.

"Há muita especulação sobre anomalias climáticas no mercado de commodities agrícolas. Café, cacau e açúcar estão todos sob o olhar atento dos investidores", disse Tomas Araujo, corretor da StoneX nos Estados Unidos.

Os analistas esperam que um ‌fenômeno El Niño muito forte se desenvolva nos próximos meses, e seu impacto ‌pode ser particularmente intenso sobre ⁠commodities tropicais como ⁠café e cacau, bem como o açúcar.

Certas regiões podem ficar muito quentes e secas, como ⁠a Ásia, onde se produz a ‌maior parte do robusta, ou ‌muito úmidas, como o Brasil, principal produtor. As chuvas recentes no país já prejudicaram a safra deste ano.

Um trader europeu de café disse que alguns participantes do mercado que mantinham posições vendidas nos futuros foram forçados ⁠a liquidá-las para evitar exigências de margem mais altas por parte da bolsa.

A cobertura de uma posição vendida impulsiona uma alta, já que o investidor precisa comprar contratos para fazê-lo. O volume de negociação de café arábica nesta segunda-feira foi o maior desde meados ‌de 2024.

Enquanto isso, os preços do cacau em Nova York subiram 13% nesta segunda-feira, para fechar a US$5.694 por tonelada, enquanto os contratos de cacau em ⁠Londres registraram alta de 12%, para £4.222 por tonelada.

O El Niño tende a causar chuvas excessivas na principal região produtora de cacau, a África Ocidental, bem como no Equador. As chuvas na África Ocidental são então tipicamente seguidas por ventos Harmattan excessivamente secos e quentes, que prejudicam a safra.

O açúcar também registrou alta, com os investidores preocupados com o excesso de umidade no Brasil, que poderia retardar a colheita, e com as chuvas de monção abaixo da média na Índia, que poderiam reduzir a próxima safra de cana-de-açúcar.

Os futuros do açúcar bruto fecharam com alta de 2,5%, para 15,22 centavos por libra, enquanto os do açúcar refinado subiram 0,6%, para US$488,40 por tonelada.

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