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Brasil praticamente esgota cota de carne bovina à China e reduz abates, diz StoneX

6 jul 2026 - 15h23
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O Brasil já ‌preencheu 98,5% da cota de exportação de carne bovina à China até junho, o que levou frigoríficos a reduzirem os abates devido à diminuição dos volumes a serem exportados, sobretudo no terceiro trimestre, afirmou a StoneX, em análise divulgada nesta segunda-feira.

A China, maior ⁠importador da carne bovina brasileira, implementou uma cota de 1,1 milhão ‌de toneladas livre da tarifa mais alta de 55% para o produto do Brasil este ano, para proteger sua produção interna.

Segundo ‌a Stonex, o Brasil já exportou ‌98,5% desse volume, considerando os embarques que começaram a ser ⁠feitos no fim do ano passado, em novembro, até 30 de junho deste ano. Levando em conta os dados de internalização da China -- ou seja, a carne que efetivamente já desembarcou no país --, o Brasil havia preenchido 72% da cota até 30 de ‌junho.

Com isso, o saldo brasileiro deve ser preenchido até agosto, contando os ‌cerca de 45 dias ⁠entre o ⁠embarque no Brasil e a chegada à China.

"Há uma expectativa de maior oferta (de ⁠carne bovina) no mercado interno, ‌também possibilidades de remanejamento ‌de oferta, mas a primeira reação da indústria foi diminuir os abates", disse Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Ela acrescentou ainda que o atingimento da cota da ⁠China foi o motivo pelo qual frigoríficos começaram as férias coletivas em massa no Mato Grosso nos últimos dias.

As exportações brasileiras de carne bovina atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, totalizando 1,705 milhão de toneladas ‌embarcadas e US$9,85 bilhões em receita, informou nesta segunda-feira a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), citando dados oficiais do ⁠governo.

Boa parte da aceleração dos embarques ocorreu em função das cotas chinesas definidas para 2026, disse a StoneX, acrescentando que as exportações à China devem retornar no quarto trimestre, dado o início da cota de 2027.

Além do Brasil, a Austrália também já esgotou sua cota de exportação à China, de modo que "os principais fornecedores deixam de abastecer o mercado chinês a partir de meados do 3º trimestre", apontou o relatório.

"Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda têm espaço relevante em suas cotas, mas restam dúvidas quanto à capacidade de preenchê-las, dada a disponibilidade mais limitada desses players para exportação".

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