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'Café do Brasil é insubstituível', diz Cecafé nos EUA, ao pedir isenção tarifária para o solúvel

Em depoimento na audiência pública da investigação comercial da Seção 301, obtido pelo 'Estadão/Broadcast Agro', o diretor-geral da entidade ressaltou que o Brasil é o principal fornecedor

6 jul 2026 - 14h32
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O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defendeu nesta segunda-feira, 6, que o governo dos Estados Unidos mantenha a isenção tarifária concedida à maior parte dos produtos de café brasileiros e estenda o benefício ao café solúvel sem adição de aromatizantes.

Em depoimento apresentado durante audiência pública da investigação comercial da Seção 301 contra o Brasil, obtido pelo Estadão/Broadcast Agro, o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, afirmou que o café brasileiro é "insubstituível" para o mercado norte-americano e alertou que a imposição de tarifas elevaria custos para a indústria e para os consumidores dos Estados Unidos.

O principal pleito da entidade é a inclusão do café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos
O principal pleito da entidade é a inclusão do café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

Segundo Matos, o Brasil responde por mais de 30% do mercado de café dos Estados Unidos e é o principal fornecedor do país. "Os cafés brasileiros não podem ser substituídos de forma viável", afirmou. O executivo ressaltou ainda que o Brasil tem uma cadeia produtiva "organizada, eficiente e transparente", capaz de garantir o abastecimento sustentável da indústria norte-americana.

O principal pleito da entidade é a inclusão do café solúvel sem aromatizantes (HTS 2101.11.21) na lista de produtos isentos das tarifas da Seção 301. De acordo com o depoimento, os Estados Unidos praticamente não produzem esse tipo de café, embora ele seja um insumo essencial para bebidas prontas para consumo (RTD) e cold brew, categorias consumidas diariamente por cerca de 53 milhões de adultos no país. Sem a isenção, argumenta o Cecafé, fabricantes norte-americanos de produtos de maior valor agregado ficam em desvantagem competitiva frente a concorrentes estrangeiros.

A entidade informou ainda que, em 2025, o Brasil exportou para os Estados Unidos perto de 15 milhões de quilos de café solúvel sem aromatizantes, volume equivalente, em média, a mais de 30% das importações norte-americanas desse produto nos últimos cinco anos.

No depoimento, Matos destacou que a retirada das tarifas sobre a maior parte dos cafés e produtos relacionados, implementada em novembro de 2025, coincidiu com um cenário de relativa estabilidade de preços para os consumidores norte-americanos.

Segundo ele, a extensão desse tratamento ao café solúvel poderá reforçar essa estabilidade e gerar benefícios adicionais para a economia dos Estados Unidos. "A inclusão do café solúvel nas isenções tarifárias traria benefícios adicionais para a economia cafeeira dos Estados Unidos", afirmou.

O executivo também destacou a relevância econômica da cadeia do café nos Estados Unidos. Segundo dados citados no depoimento, mais de 70% da população norte-americana consome café, o setor movimenta US$ 343 bilhões por ano, responde por 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e sustenta mais de 2,2 milhões de empregos.

Marcos Matos participou do terceiro painel da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ao lado de representantes da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), da National Coffee Association e da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel.

Estadão
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