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Argentina recorrerá a empréstimos multilaterais e privatizações para arcar com pagamentos da dívida

6 jul 2026 - 14h27
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O ministro da Economia da ‌Argentina, Luis Caputo, afirmou nesta segunda-feira que o governo espera honrar os pagamentos da dívida até 2027 por meio de empréstimos multilaterais, privatizações e emissão de títulos locais, evitando, por enquanto, o retorno aos mercados internacionais de títulos.

Caputo disse em uma coletiva de imprensa que a Argentina buscará refinanciar ⁠a dívida existente às taxas mais baixas possíveis e que não tinha como ‌meta nenhum rendimento específico antes de retornar aos mercados de capitais globais.

"Se tivermos opções mais baratas, naturalmente continuaremos com essa opção", disse ele.

A Argentina ‌enfrenta um teste de dívida em moeda ‌estrangeira em 2027 — ano em que o presidente Javier Milei afirmou ⁠que buscará a reeleição —, com mais de US$23 bilhões em pagamentos de principal em moeda estrangeira vencendo, ou mais de US$32 bilhões incluindo juros, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional.

Os investidores estão atentos a sinais de que Milei possa ter dificuldades para manter seu aperto fiscal, o que ‌poderia pressionar o peso e desestabilizar os mercados.

Até o momento, Milei manteve uma ‌postura fiscal restritiva, ajudando ⁠a reduzir a ⁠inflação mensal de 25,5% em dezembro de 2023 para 2,1% em maio. A Argentina tem ⁠contado com títulos locais atrelados ao ‌dólar, operações de recompra e ‌financiamento multilateral para construir reservas em moeda estrangeira.

Caputo rejeitou as críticas de que o governo tenha prejudicado a indústria nacional ao facilitar as importações, afirmando que os governos anteriores protegeram setores ineficientes em vez ⁠de incentivá-los a se tornarem competitivos.

Ele disse que o governo está focado em apoiar a indústria local por meio da redução de impostos e da melhoria da infraestrutura, acrescentando que "não pode custar mais transportar mercadorias dentro do país do que exportá-las para a ‌China".

Caputo disse que os influxos de dólares também viriam do regime de incentivos a grandes investimentos de Milei, conhecido como RIGI, que tem atraído ⁠interesse em setores como mineração e energia, bem como de privatizações, como a da rede ferroviária.

Ele disse que alcançar o status de grau de investimento seria uma prioridade, embora a dívida soberana da Argentina continue profundamente no território especulativo, apesar das recentes reclassificações da S&P e da Fitch.

Os críticos do programa econômico de Milei têm apontado o impacto dos cortes nos subsídios e das medidas de austeridade sobre os consumidores. A queda no poder de compra e os escândalos de corrupção afetaram sua popularidade.

Caputo afirmou que não há planos de mudar de rumo.

"Vamos continuar nessa linha de reduzir riscos e não nos afastar da ortodoxia fiscal e monetária", disse ele.

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