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Ministro argentino só trabalhará com Bolsonaro após posse

Após Paulo Guedes dizer que Mercosul não será prioridade, Dante Sica afirmou que só trabalhará com decisões tomadas por ministros empossados

29 out 2018
14h50
atualizado às 15h36
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O ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, afirmou que o governo de Mauricio Macri só irá trabalhar com base em fatos e decisões tomados por ministros empossados pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

"Precisamos esperar que os ministros designados assumam seus cargos, comecem a trabalhar, tomem medidas e façam declarações oficiais. A partir de seus feitos e atos, vamos começar a trabalhar em conjunto", disse ao Estado após ser questionado sobre o futuro do Mercosul e das relações comerciais entre Brasil e Argentina.

Paulo Guedes afirmou que o Mercosul não será prioridade no governo de Bolsonaro
Paulo Guedes afirmou que o Mercosul não será prioridade no governo de Bolsonaro
Foto: Wilton Júnior / Estadão Conteúdo

Na noite de domingo, 28, após Bolsonaro ser eleito, seu assessor econômico, Paulo Guedes, afirmou que o Mercosul não será prioridade do próximo governo. "Se eu só vou comercializar com Venezuela, Bolívia e Argentina? Não. Nós vamos comercializar com o mundo, serão mais países. Nós faremos comércio. E se eu quiser comercializar com outros países?", disse.

O economista justificou que o foco de seu programa econômico será o controle de gastos e não o Mercosul. "É isso que você queria ouvir? Mercosul não será prioridade. A gente não está preocupado em te agradar. Eu conheço esse estilo", disse Guedes, exaltado à repórter argentina do jornal Clarín.

Sica destacou que o governo Macri também tem uma agenda voltada à integração do país com o restante do mundo e acrescentou que a possibilidade de países do bloco econômico negociarem acordos bilaterais de livre comércio com terceiros de forma independente precisa ser discutida entre os membros. "O Mercosul tem negócios em conjunto e essa questão deve ser discutida no âmbito do Mercosul."

Hoje, os membros do bloco precisam negociar acordos de preferências tarifárias com outros países de forma conjunta.

Para o ministro da Produção, porém, a mudança na Presidência do Brasil não deve alterar a negociação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, em discussão há 20 anos e em fase final de elaboração. Sica disse que o tratado poderia ser fechado na próxima reunião do G-20 - que reunirá os chefes de Estado das 20 maiores economias do mundo -, marcada para 30 de novembro e 1º de dezembro em Buenos Aires.

"Continuamos trabalhando com o governo do Brasil. Respondemos todos os questionamentos da União Europeia e temos de aproveitar a oportunidade do G-20 para alcançar um acordo."

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Estadão
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