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Capital de giro não é apenas para empresas: condomínios podem explorar modelo de gestão

3 fev 2026 - 05h58
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Resumo
Condomínios enfrentam desafios financeiros semelhantes às empresas e podem aplicar conceitos de capital de giro para melhorar gestão, planejamento e previsibilidade, utilizando práticas modernas e soluções tecnológicas.
Foto: Freepik

A ideia de capital de giro costuma remeter imediatamente ao universo empresarial  fluxo de caixa, prazos, sazonalidade e custos variáveis. Mas a verdade é que os condomínios enfrentam os mesmos desafios financeiros que empresas de médio porte: despesas crescentes, inadimplência persistente, contratos indexados e a necessidade de garantir a continuidade de serviços essenciais. Ignorar essa lógica significa operar no improviso e aumentar a vulnerabilidade dos moradores a reajustes inesperados, obras emergenciais e até endividamento coletivo.

Os dados dão a dimensão do problema. O Índice de Custos Condominiais (ICON), elaborado pelo Secovi-SP, registrou 4,69% de aumento acumulado em 12 meses até julho de 2025, puxado principalmente por despesas com pessoal, manutenção predial, tarifas públicas e limpeza, exatamente as rubricas que mais pressionam o caixa dos condomínios. Em muitos períodos, esses custos crescem acima da inflação geral, criando um descompasso entre a arrecadação mensal e a necessidade real de financiamento das operações. É capital de giro puro: quando as saídas aceleram e as entradas não acompanham, instala-se uma fragilidade estrutural.

Aplicar o conceito de capital de giro ao universo condominial significa enxergar o condomínio como ele realmente é: uma unidade econômica com ciclos de entrada e saída, sujeita a sazonalidades, riscos e imprevistos. Isso exige mapear o fluxo de caixa mês a mês, criar provisões para manutenções programadas, fortalecer fundos de reserva e estruturar uma política moderna de enfrentamento à inadimplência. Em outras palavras: substituir a gestão reativa que corre atrás do prejuízo por uma gestão baseada em planejamento e previsibilidade.

E essa transformação não acontece apenas por meio de boas práticas administrativas. Nos últimos anos, o ecossistema de fintechs e startups voltadas ao setor condominial evoluiu de forma expressiva, oferecendo soluções que antes simplesmente não existiam. Plataformas especializadas passaram a disponibilizar contas digitais para condomínios, cobrança automatizada, conciliação financeira em tempo real, antecipação de receitas, linhas de crédito específicas para capital de giro, meios de pagamento integrados e sistemas que reduzem a inadimplência a partir de lembretes, parcelamentos inteligentes e acompanhamento do comportamento financeiro dos moradores. 

Essas soluções vêm preenchendo uma lacuna histórica: condomínios têm necessidades financeiras complexas, mas até pouco tempo não encontravam produtos bancários desenhados para sua realidade. O resultado desse avanço tecnológico é imediato: menos dependência de rateios emergenciais, maior capacidade de enfrentar meses de despesas mais altas, melhor organização do orçamento anual e mais transparência para os moradores. Além disso, a digitalização facilita auditorias, reduz erros manuais e dá ao síndico uma visão consolidada do “pulso financeiro” do empreendimento.

Esse movimento também conversa diretamente com as tendências identificadas pelo Secovi-SP: custos crescentes, profissionalização da função de síndico e a necessidade de previsibilidade para evitar que decisões financeiras recaiam de forma abrupta sobre os condôminos. Com capital de giro bem estruturado, seja por gestão interna ou com o apoio de soluções tecnológicas, o condomínio ganha tempo, capacidade de planejamento e governança. Em vez de improvisar, passa a operar com estratégia, assim como qualquer empresa saudável faz.

Adotar a lógica do capital de giro no condomínio não é transformar o prédio em negócio, é, na verdade, garantir que os serviços essenciais funcionem, que o patrimônio seja preservado e que o orçamento fique menos vulnerável a sustos. Em um cenário de custos voláteis e demandas crescentes, essa abordagem permite que síndicos e moradores tomem decisões melhores, reduzam conflitos, evitem surpresas desagradáveis e fortaleçam o valor de cada unidade.

É uma mudança cultural que traz maturidade financeira para um setor que movimenta bilhões anualmente, mas ainda opera, em grande parte, com ferramentas e mentalidades do passado. Os condomínios que entendem essa nova realidade deixam de administrar apenas contas a pagar: passam a gerenciar solidez, segurança e valorização. E isso, hoje, é tão importante quanto qualquer inovação no mundo empresarial.

(*) Ricardo Chalfin é CEO e fundador da Wind Capital, empresa especializada em soluções de crédito condominial.

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