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Mercado cannabis: falta muito pra ciência desbancar o estigma?

Crescem as evidências científicas que comprovam os benefícios terapêuticos da planta, mas as políticas públicas seguem limitantes

4 ago 2022 - 01h00
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Foto: Unsplash

Pouca gente há de discordar quando digo que novos negócios idôneos e que apresentam elevada oportunidade de geração de empregos e de investimentos merecem, ao menos, ser estudados e avaliados com cautela pela sociedade. Mas tal “chance” não está sendo dada à cannabis e seus múltiplos produtos e serviços derivados por puro preconceito. Só que essa fama de “droga” da planta ainda vai atrapalhar muito a nossa economia. 

Outros países, com destaque para os EUA, Holanda, Portugal e até nosso vizinho Uruguai, já legalizaram a venda, o cultivo e a distribuição da cannabis, para qualquer que seja seu uso final – incluindo o recreativo, a que muitos se opõem por aqui. 

O Projeto de Lei que discute o tema por aqui é de 2015 e, embora Anvisa aprove a importação do produto canabidiol pronto para uso farmacêutico desde essa época, o governo ainda patina em aprovar uma regulamentação que permitiria o cultivo e subsequente impulsionamento do crescimento econômico nacional, gerando empregos nos mais diversos setores: do campo à indústria têxtil, do laboratório farmacêutico a dermocosméticos e até mesmo alimentos. 

Resultado? Estamos abdicando de uma verdadeira fortuna. Um relatório da Fortune Business Insights comprova uma movimentação global na casa dos US$ 20 bilhões em 2020 e estima que esse número chegue a US$ 197,74 bilhões em 2028 – você leu certo, esse salto de quase 900% é em apenas seis anos! Eu realmente desconheço qualquer outro nicho com um crescimento parecido. 

A discussão é pública no mundo afora

Sociedades mais avançadas que a nossa já estão discutindo a mudança de suas políticas públicas em relação às drogas, especialmente com relação à violência, e, em paralelo, permanecem se respaldando em evidências científicas robustas para ampliar o uso da cannabis farmacêutica, seja por meio do canabidiol e até de THC e outras moléculas.      

Voltei recentemente de uma semana de muito aprendizado na Inglaterra, onde participei da London Tech Week juntamente com investidores de fundos, e por lá a grande discussão sobre o tema é por mais liberalidade pelo uso, pois a análise geral é que a política avançou pouco nesse sentido [Em tempo, no Reino Unido, a cannabis já é vendida em farmácias]. Nos EUA, por sua vez, com suas leis já votadas, está ocorrendo um fenômeno curioso, de excesso de oferta de produtos. 

Já o Brasil, repito, se priva de gerar novos negócios e empregos devido a preconceitos que seguem enraizados. Imagine você a quantidade de startups e de inovação que estão sendo suprimidas por uma limitação legislativa? 

Está na hora de a gente abdicar de ideias preconcebidas e testar novas soluções, nos inspirando e aprendendo com aqueles que já agiram para ter um resultado melhor. Especialmente porque a solução adotada até agora em relação à política de drogas – colocar mais gente na cadeia – não tem surtido o efeito desejado, muito pelo contrário…

(*) Rodrigo Guerra é economista, empreendedor e fundador do Projeto Unbox. Enxerga a inovação como uma responsabilidade social das lideranças, e não como um conjunto de metodologias.

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