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Marcopolo acelera proximidade com consumidores lá fora

Multinacional brasileira posiciona-se para manter a competitividade internacional

19 set 2021 05h11
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Como seus pares estrangeiros, as multinacionais brasileiras posicionam-se para manter a competitividade internacional, de acordo com a dança da economia global. Não tem sido diferente agora, com os maiores países do mundo levando as fábricas para perto de seus grandes mercados consumidores. Entre as que começam a fazer movimentos nessa direção está a Marcopolo, uma das maiores indústrias de ônibus do mundo, com fábricas em sete países e faturamento de R$ 4,4 bilhões, em 2019, e R$ 3,6 bilhões, no ano passado.

Diretamente impactada pela restrição à mobilidade na pandemia, a Marcopolo segurou despesas. Sua operação internacional cortou custos em 30%, com redução de pessoal e devolução de fábrica. Ao mesmo tempo, trocou o comando, o RH e levou funcionários brasileiros da engenharia e da área industrial para a China, onde tem duas unidades. Com o novo direcionamento, estuda fazer uma parceria com uma empresa local - o que a permitirá vender também para a China, em vez de apenas produzir no país para exportar a outras nações da região.

Assim, hoje as fábricas chinesas da Marcopolo atendem tanto os mercados mais sofisticados, como Cingapura, Hong Kong e Coreia do Sul, como Malásia, Indonésia e Filipinas, que pedem ônibus mais baratos, de maneira geral. Na região, a Marcopolo também tem três unidades na Austrália.

"A troca de comando na China foi feita para expandir os negócios nos mercados vizinhos", diz André Armaganijan, diretor de estratégia e negócios internacionais da Marcopolo. "Além disso, queremos aproveitar o fato de termos a operação em lugares nos quais estão sendo desenvolvidas tecnologias de ponta para aprender, testar e trazer as melhores soluções para o Brasil."

Em 2019, quando a pandemia não havia afetado os resultados da Marcopolo, aproximadamente metade da receita vinha de vendas dentro do Brasil e 25% de exportações de produtos nacionais. No resultado do segundo trimestre de 2021, um terço era proveniente das operações internacionais. A meta de Armaganijan é chegar a pelo menos 50% vindos do exterior.

Segundo ele, isso não reduzirá a importância da operação brasileira. Ao contrário. Trará ao País mais tecnologia e criará uma empresa menos dependente de um único mercado.

"Muita gente nos pergunta como mantemos fábrica na Argentina, mesmo com tantos problemas", diz ele. "O fato é que todos países têm seus problemas. Quando se está lá dentro, aprende-se a lidar com os movimentos e é possível saber o quanto acelerar." O mesmo acontece na China e com busca pela menor dependência do Brasil.

Estadão
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