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Juros na ponta não caíram como o desejado pelo BC em 90% da massa de crédito, diz Campos Neto

8 nov 2019
11h24
atualizado às 12h57
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Os juros na ponta não caíram como o desejado pelo Banco Central em 90% da massa de crédito, avaliou nesta sexta-feira o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, em evento organizado pela Embaixada da Itália em São Paulo.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
08/08/2019
REUTERS/Amanda Perobelli
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto 08/08/2019 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Campos Neto voltou a dizer que, para que isso ocorra, é preciso que o país resolva o problema de informação assimétrica. Ela será removida, na visão do presidente do BC, com a implementação do open banking, que dará aos clientes de bancos o poder sobre seus dados financeiros

Ele também afirmou ser necessário melhorar a questão das garantias nos empréstimos, uma vez que a recuperação de crédito no país é baixa e demorada.

Quanto à política monetária, Campos Neto reiterou em seu discurso que o BC vê espaço para mais um corte de 0,5 ponto da taxa básica de juros este ano, após ter feito uma redução desta magnitude na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em outubro. Atualmente, a Selic está na mínima histórica de 5%.

Sobre o comportamento do dólar frente ao real, ele frisou que o câmbio no Brasil é flutuante e que o BC não trabalha com meta para a cotação da moeda norte-americana.

Às 12h34, o dólar subia 1,05% contra o real, próximo do patamar de 4,15 reais.

Como pano de fundo para o movimento, agentes de mercado apontaram o ambiente de desconfiança política após o STF derrubar a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, o que abre caminho para a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, incertezas renovadas sobre um acordo entre Estados Unidos e China também pesavam negativamente.

A respeito dos embates comerciais entre as duas maiores economias do mundo, Campos Neto avaliou durante o evento que este é um momento de tensão alta e que, no final das contas, todos saem prejudicados.

A guerra comercial impõe uma queda de produtividade que acaba sendo prejudicial ao crescimento global, afirmou ele.

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