JBS quer ser maior distribuidor de carne e vê mercado melhor
O JBS, maior empresa produtora de carne bovina do mundo, após comprar ativos em três continentes nos últimos anos, planeja ampliar sua atuação em distribuição, visando também a liderança nesse setor, em um momento em que vê recuperação nos mercados americano e brasileiro, que pode levar a novas aquisições.
A maior atuação em distribuição tem o objetivo de melhorar margens do JBS e deixá-lo menos sujeito à volatilidade dos mercados, afirmaram os principais executivos da empresa nesta sexta-feira.
"Só é possível falar nisso porque temos mais de 10% da produção global. Estamos trabalhando em expandir e integrar a plataforma de distribuição para vender o melhor produto para o lugar certo ao melhor preço. Isso significa expansão de margens, mais que expansão de volumes", declarou a analistas e jornalistas o presidente do JBS, Joesley Batista.
Essa plataforma de distribuição prevê vendas de produtos congelados e refrigerados. "E conseguiremos não só expandir a margem, mas tirar a volatilidade", declarou em teleconferência sobre os resultados.
Segundo Wesley Batista, presidente do JBS EUA, "quando a gente fala de plataforma global, falamos em acessar o cliente em base final, menos distribuidor e mais usuário final".
Wesley observou ainda que a escala de produção da empresa deverá garantir tal atuação. "O JBS é responsável por entre 30% a 40% da carne importada por Japão e Coreia... Em mercados com presença forte de volume, dá a possibilidade de acessar o cliente final, um passo a mais."
A empresa conta com a recuperação dos mercados, especialmente nos Estados Unidos, após a crise internacional, para crescer no outro segmento. As vendas de bovinos nos EUA representam 57% da receita do JBS; suínos nos EUA, 12%, enquanto carne bovina no Brasil, por 15%.
De acordo com o diretor de Relações com Investidores, Jeremiah O&aposCallaghan, o setor da carne bovina nos Estados Unidos entrou em uma etapa de recuperação, de margens positivas, demonstrada tanto pelo resultado da JBS nos EUA, como também pelos concorrentes naquele país.
"Sentimos que a fase pós suspensão das exportações americanas em 2004 (por problemas da doença da vaca louca) já foi superada, e o mercado entra em fase de margens positivas constantes."
As vendas nos mercados domésticos do JBS responderam por 78% da receita do trimestre, de cerca de R$ 9 bilhões, enquanto as exportações, por 22%.
De acordo com o JBS, a unidade brasileira vem sendo beneficada por um câmbio favorável às exportações, por menos competidores, visto que muitas empresas saíram do mercado por causa da crise, e também por uma maior oferta de gado.
O presidente afirmou ainda que um "pujante" mercado interno no Brasil está permitindo compensações de vendas perdidas por restrições sanitárias desde o início do ano passado para a União Europeia. Os abates estão em alta.
"No auge da crise chegamos a reduzir a 10 mil bois por dia, hoje estamos em 15 mil, e seguramente chegaremos ao final do ano a 20 mil, ou mais. Se chegarmos em 25 mil, praticamente cumprimos o nosso plano de ter 25% do mercado".
Segundo ele, abatendo 20 mil animais dia, a empresa estaria utilizando 80% de sua capacidade. "Iniciamos o trimestre com 55 da capacidade e terminamos com 70."
A melhora no mercado, ao mesmo tempo em que a empresa afirma estar menos alavancada do que outros concorrentes, poderá permitir novas aquisições do JBS.
"Já fizemos o nosso dever de casa, com a retomada do mercado, estamos prontos a retomar o crescimento", declarou ele, lembrando que a estratégia é expandir operações em boi na América do Sul e suínos onde a empresa já opera.
Mas após um período "sofrido", ele afirmou não imaginar movimentos agressivos, ressaltando que atualmente não negocia com ninguém. "Não acho que vai ter oportunidade de compra de companhias, mas sim compras de ativos (de empresas com problemas financeiros)".