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Brasil tem desafios para consolidar seu papel no negócio de bioenergia

Tema foi debatido no São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação

19 mai 2026 - 23h21
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O Brasil tem alguns desafios relevantes a vencer para consolidar seu papel no negócio de bioenergia e a avaliação é que há espaço para garantir a transição energética. Para tanto, há algumas questões importantes: política pública, infraestrutura e marco regulatório.

O assunto foi debatido no painel Bioenergia na segurança energética e climática, mediado por Marcos Jank, professor e coordenador do Insper Agro Global, nesta quarta-feira, 13, no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação.

Da esquerda para a direita, Luciano Rodrigues, André Nassar e Daniel Lopes no painel Bioenergia na Segurança Energética e Climática, no São Paulo Innovation Week.
Da esquerda para a direita, Luciano Rodrigues, André Nassar e Daniel Lopes no painel Bioenergia na Segurança Energética e Climática, no São Paulo Innovation Week.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

A bioenergia tem o desafio da descarbonização, enquanto a Europa discute fazer isso com resíduos sintéticos, diz André Nassar, presidente executivo da Associação Brasileira da Industria de Óleos Vegetais (Abiove). "O etanol brigou muito por esse tema para mostrar que a cana não tinha impacto. Então, entraram milho e soja. Aí o debate voltou. Agora tem de ser focado em biocombustíveis", afirma.

É consenso que a bioenergia pode avançar para outras aplicações e se internacionalizar. Por exemplo, atingir os mercados de uso na aviação civil e no transporte marítimo. "A navegação é um dos setores que poderá promover a internacionalização, e acredito mais nesse potencial", acrescenta Nassar.

Luciano Rodrigues, diretor de inteligência estratégica e regulação da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica) e professor da FGV, avalia que o Brasil avançou muito com o Renova Bio, mas que o maior desafio não é criar novos programas. "É preciso consolidar os programas existentes", defende.

Daniel Lopes, da FS Bioenergia, por sua vez, diz que o etanol de milho teve um papel disruptivo na produção de etanol no País. "Em pouco tempo, já representa 30% do total produzido no Brasil e é um complemento relevante ao etanol de cana."

Marcos Jank, professor e coordenador do Insper Agro Global, como mediador do painel.
Marcos Jank, professor e coordenador do Insper Agro Global, como mediador do painel.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

No cargo de vice-presidente de sustentabilidade e novos negócios da FS Bioenergia, que tem três unidades fabris no estado de Mato Grosso e uma quarta em fase final de construção, Lopes destaca que o etanol de milho já conta com tecnologias para novas aplicações. "Vai ter um papel protagonista na descarbonização", acredita.

Pela frente, observa Nassar, um desafio é transformar as refinarias de petróleo em biorrefinarias, como nos EUA, onde se produz nesses locais o SAF (combustível de aviação). Rodrigues lembra que o etanol de cana tem um passado de inovações, como a bioeletricidade, e já avança para outras aplicações.

Lopes aponta também os subprodutos óleo de milho e DDG (produto para nutrição animal), obtidos em suas fábricas. "O próprio etanol de milho já é uma grande inovação. Há nove anos não existia no Brasil e a FS foi pioneira."

SPIW

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras. Veja aqui a programação completa.

Estadão
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