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Com áudios de Flávio Bolsonaro no foco, dólar fecha semana em alta de 3,48%, cotado a R$ 5,06

Moeda ⁠norte-americana encerrou semana em alta repercutindo o cenário político brasileiro

15 mai 2026 - 17h15
(atualizado às 17h32)
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O dólar fechou a sexta-feira em alta ‌e novamente acima dos R$5,05, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior e repercutindo o cenário político brasileiro, de pressão para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Homem conta notas de US$100
20 de dezembro de 2025
Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Homem conta notas de US$100 20 de dezembro de 2025 Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
Foto: Reuters

O dólar à vista subiu 1,59%, aos R$5,0664. Na semana, a moeda acumulou alta de 3,48% e, no ano, recuo de 7,70%.

Às 17h05, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 1,53% na B3, aos R$5,0815.

A moeda norte-americana sustentou ganhos ⁠ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em sintonia com o avanço firme dos ‌rendimentos dos Treasuries, com os investidores elevando as apostas de que o Federal Reserve precisará subir juros para conter a inflação.

Essa percepção é alimentada pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito ‌de Ormuz fechado ao transporte de petróleo e gás.

Nesta sexta-feira, o ‌preço do barril de petróleo Brent voltou a subir, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ⁠afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã não tem "nenhuma confiança" nos EUA e se interessa em negociar com Washington somente se for sério.

"O pregão desta sexta-feira consolida um cenário de forte aversão ao risco (risk-off), com uma reprecificação agressiva de ativos globais frente à resiliência da inflação e tensões geopolíticas persistentes", resumiu Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, em ‌comentário escrito.

O cenário turbulento fazia o dólar ter altas firmes ante moedas de países emergentes como o peso chileno, ‌o rand sul-africano e o peso ⁠mexicano -- mas o real era ⁠a divisa global mais pressionada, liderando as perdas da sessão.

Isso porque, além do exterior, os investidores seguiam atentos aos desdobramentos ⁠do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono ‌do Master, Daniel Vorcaro.Na quarta-feira, uma ‌reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio pediu a Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para ⁠um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em troca.

No mercado, a percepção mais geral é de que a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula, por sua vez, é vista como um fator negativo para o ajuste das contas públicas.

Para ‌piorar o cenário para a oposição, a Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira mandados de busca e apreensão, em caso relacionado à refinaria Refit, contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro -- também filiado ao ⁠PL e aliado de Flávio.

No meio da tarde, com as mesas de operação já mais vazias, o site Intercept publicou nova reportagem sobre as relações da família Bolsonaro com Vorcaro.

"Foi uma coisa atrás da outra esta semana. Pegou o (noticiário) local aqui, estressou, e agora lá fora", comentou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, ao justificar a alta firme do dólar nesta sexta-feira.

"Essa aversão ao risco lá fora hoje, em relação à guerra, foi refletida no petróleo, e o mercado adota uma postura defensiva, ainda mais por ser sexta-feira. (Teremos) dois dias de noticiário pela frente -- e sem poder comprar ou vender (dólar)", acrescentou, referindo-se ao fim de semana.

Outros três profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que o noticiário envolvendo Flávio Bolsonaro reforçou nesta sexta-feira a pressão sobre os ativos brasileiros, incluindo o real, em uma sessão já negativa para as divisas de países emergentes.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

(Edição de Alexandre Caverni)

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