Quem são Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, alvos de operação sobre fraudes das Americanas
Paulo é filho de Jorge Paulo Lemann, que está entre os mais ricos do Brasil, e Beto é sócio de Jorge na empresa de private equity 3G Capital; varejista informou que 'seguirá colaborando com as investigações', e a defesa dos citados não foi localizada
Os empresários Paulo Alberto Lemann e Carlos Alberto Sicupira, conhecido como Beto Sicupira, ligados ao grupo controlador das Americanas, estão entre os alvos da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira, 25, para aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões na varejista.
Procurada, a varejista informou que "seguirá colaborando com as investigações" e afirmou ser "a maior interessada no esclarecimento dos fatos". O Estadão busca contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto.
Paulo, de 58 anos, é filho do primeiro casamento de Jorge Paulo Lemann, apontado pela revista Forbes como a terceira pessoa mais rica do Brasil em 2026, com patrimônio estimado em US$ 19,8 bilhões.
Formado em Economia pela Universidade Candido Mendes, Paulo trabalhou em empresas como PriceWaterhouse e Andersen Consulting, antes de fundar as gestoras de investimentos Pollux Capital, em 2005, e Vectis Partners, em 2017.
Ele integrou o Conselho de Administração das Americanas por quase duas décadas, mas deixou o cargo em setembro de 2024, pouco mais de um ano após virem à tona fraudes contábeis na varejista. Atualmente, o economista é integrante do Conselho de Administração da Fundação Lemann e da Anheuser-Busch InBev (AB InBev), maior cervejaria do mundo, onde está entre os representante dos principais acionistas.
Já Beto, de 78 anos, é sócio de Jorge na empresa de private equity 3G Capital, conhecida por seus investimentos na AB InBev e na Restaurant Brands International, controladora do Burger King.
Em 2026, ele ocupava o posto de oitava pessoa mais rica do Brasil, com patrimônio estimado em US$ 6,9 bilhões, segundo a Forbes. A revista também informou que a maior parte da riqueza de Beto provém de suas ações da AB InBev, na qual detém cerca de 3% das ações.
Beto chegou a presidir o Conselho de Administração das Americanas, mas também deixou o cargo em 2024.
A operação desta quinta-feira cumpre mandados de busca e apreensão contra a dupla e também atinge executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do Conselho de Administração da varejista.
Procurado, o Bradesco disse que acompanha a operação e que está à disposição das autoridades. Já o Santander afirmou que "está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes". O Itaú não retornou à tentativa de contato. O espaço segue aberto.
Segundo a investigação, os alvos teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos pela varejista. Ao todo, a PF cumpre nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Também foi determinado o bloqueio de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
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