Taxas de DIs reduzem perdas após dirigentes do BC negarem alongamento do horizonte da política monetária
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo reduziram as perdas no fim da manhã desta quinta-feira e as de longo prazo retornaram à estabilidade, após dirigentes do Banco Central negarem que o horizonte da política monetária esteja sendo alongado.
Às 12h58 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,18%, em baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de 14,32% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,21%, estável.
Até o início da coletiva de imprensa dos dirigentes do BC sobre o Relatório de Política Monetária, às 11h, as taxas vinham exibindo perdas firmes em toda a curva, após dados mostrarem o IPCA-15 desacelerando em junho, com a abertura dos números indicando melhora em diferentes métricas.
Na entrevista coletiva, o diretor Paulo Picchetti afirmou que o BC não está alongando o horizonte relevante para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso. Segundo ele, a intenção da autarquia ao chamar atenção para o primeiro trimestre de 2028 nas comunicações recentes, se deu sob avaliação de que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação no horizonte relevante, mas é completamente insensível ao que o BC faz na política monetária.
Picchetti pontuou que um choque de juros para conduzir a inflação à meta de 3% não "abriria o Estreito de Ormuz" nem mudaria o El Niño.
Ao mesmo tempo, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição não está dando sinalizações sobre o futuro dos juros, em função da incerteza, e salientou que não há nenhum tipo de mudança na política monetária.
"Estamos recolhendo dados nos próximos 40 dias para que o Copom possa tomar a decisão (sobre juros) à luz dos novos fatos", disse Galípolo.
Os comentários de Picchetti e Galípolo, conforme operador ouvido pela Reuters, deram força às taxas, que se distanciaram das mínimas da sessão. Por trás do movimento está a percepção de que os dirigentes do BC reforçaram a ideia de busca da meta de inflação no horizonte relevante -- hoje no quarto trimestre de 2027.
Desde a semana passada, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, as taxas futuras vinham em queda, com investidores avaliando que o colegiado teria descartado altas de juros no curto prazo para atingir a meta, preparando terreno para mais cortes ao alongar o horizonte relevante, apesar da piora do cenário para a inflação.
No Relatório de Política Monetária, divulgado antes da abertura do mercado, o BC projetou em seu cenário de referência que a inflação seguirá em alta no segundo, no terceiro e no quarto trimestre deste ano, fechando 2026 em 5,2%. O percentual está acima do teto de 4,5% da meta perseguida. Depois, conforme as projeções do BC, a inflação cairá gradualmente até 3,7% no fim de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, chegando a 3,1% no fim de 2028, último período analisado.
No documento, o BC também elevou de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.
Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevação de 0,44% em junho.
A abertura do indicador também trouxe dados favoráveis. A taxa dos serviços subjacentes -- que excluem itens mais voláteis -- desacelerou de 0,53% em maio para 0,27% em junho, conforme o banco Bmg. Já a inflação dos serviços intensivos em mão de obra passou de 0,60% para 0,50% no período. A taxa dos serviços de modo geral foi de 0,48% para 0,40%.
Também houve melhora na média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC, com a taxa desacelerando de 0,48% em maio para 0,34% em junho, de acordo com o Bmg.
No exterior, às 12h58, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- cedia 2 pontos-base, a 4,38%.
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