Infraestrutura falha barra avanço do pagamento por celular
O chamado
mobile payment, ou simplesmente
m-payment, é o serviço que adota o telefone celular como forma de pagamentos e transações bancárias. Embora essa opção seja promissora no Brasil, a falta de infraestrutura adequada ainda é um problema, explica a analista de Telecom da Tendências Consultoria Integrada Camila Saito. "A parte operacional é um obstáculo. É preciso que haja muito investimento para tornar o serviço mais seguro", diz.
O uso do celular como meio para pagar contas, comprar produtos e fazer transações bancárias já é popular em vários países, como nos Estados Unidos. Recentemente, a cofundadora da empresa de soluções de pagamento Mundipagg Verena Stukart esteve em Dever e percebeu a disparidade entre a realidade do serviço nos dois países.
"O Brasil está um pouco atrás, mas começa a olhar para essas soluções agora. Nos Estados Unidos, eles fazem uma combinação. Não é só um canal
mobile, é uma solução multicanais", explica.
A realidade brasileira pode mudar com investimentos que já começam a acontecer. "Para tentar frear a perda de receita, as redes de telefonia móvel vêm investindo em serviços mais diferenciados. Esse tipo de serviço é uma das alternativas", conta Camila.
Economia
Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em agosto o número de celulares em serviço no Brasil era de quase 258 milhões, ou 131,16 terminais por 100 habitantes. Isso significa um grande potencial para a difusão do serviço, além de ser uma oportunidade para muitas empresas, principalmente as que usam o
e-commerce.
Verena afirma que as formas de uso do celular como carteira eletrônica são diversas. "É bastante abrangente. Uma loja pode vender por meio do celular e finalizar o pagamento no próprio aparelho", exemplifica. "Também dá para utilizar o serviço apenas com o número do telefone, sem precisar dos 16 dígitos mais o código de segurança do cartão de crédito normalmente pedidos", argumenta.
Segurança
Para ampliar a segurança desse tipo de transação, segundo Verena, é necessário que as empresas envolvidas sigam as normas do Programa de Segurança da Informação (Payment Card Industry, PCI). O PCI é um conjunto de regras de segurança da indústria de cartões que foi desenvolvido pelas bandeiras para aprimorar a proteção dos dados sensíveis. O programa é aplicado a todas as empresas que armazenam, processam ou transmitem dados de cartão.
Os casos de roubo de informações sigilosas por
crakerspreocupam. Mas as empresas se esforçam para sofisticar cada vez mais seus sistemas. "Seguimos as normas criadas pelas bandeiras, a PCI. Muitas empresas não trabalham com essas regras. Esse tipo de segurança não é simples de ser implementado. Há uma série de tarefas custosas e complexas que precisa fazer", explica Verena.
Na prática
Há diversas formas de uso do telefone como pagamento, dependendo da implementação feita pelo vendedor e pela empresa de gerenciamento da transação. No caso da solução da Mundipagg, a empresa tem que disponibilizar a solução no site. Depois disso, o cliente deve entrar no site, pelo telefone celular ou pelo computador, e fazer sua primeira compra com o cadastro dos dados.
Nas próximas compras, isso não será necessário. O programa Instant Buy da Mundipagg armazena os números do cartão dentro da plataforma para que não seja necessário digitar todos os dados novamente ¿ basta o cliente aceitar a transação quando receber uma mensagem no celular. O pagamento pode ser cobrado na fatura do cartão. Caso precise, a plataforma de estorno já está totalmente integrada.
As lojas de calçados Di Santini e Passarela já utilizam a aplicação da Mundipagg. Girafas e Meu Móvel de Madeira são algumas empresas que em breve também vão disponibilizar sua solução
mobile, segundo a empresa.