Ibovespa recua com ajustes e resultados sob holofotes; Eneva dispara
O Ibovespa recuava nesta sexta-feira, ampliando a correção negativa da véspera, mas ainda no azul na semana, com novos resultados corporativos sob os holofotes, enquanto Eneva disparava após o governo elevar os preços-teto dos leilões de potência do setor elétrico
Por volta de 11h35, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 2,11%, a 183.797,69 pontos, refletindo também cautela antes do fim de semana prolongado pelo Carnaval, com a bolsa reabrindo apenas na quarta-feira. Na semana, contudo, o Ibovespa ainda sobe 0,46%.
O volume financeiro nesta sexta-feira somava R$6,69 bilhões.
De acordo com análise da Ágora Investimentos, o movimento recente na bolsa paulista, com queda de 1% do Ibovespa na véspera, reforça a leitura de fôlego limitado no curto prazo, com a região dos 190 mil pontos -- ultrapassada na máxima da quarta-feira -- representando uma "resistência relevante".
"Acreditamos que o ceticismo em posições contrárias ao fluxo estrangeiro continua, mas que o calendário de Carnaval sugere alguma prudência", acrescentou a equipe da corretora em relatório enviado a clientes.
Na Quarta-feira de Cinzas, a B3 terá sessão contínua de negociação dos ativos de renda variável das 13h às 17h55, com pré-abertura das 12h45 às 13h e call de fechamento para todos os ativos das 17h55 às 18h.
Wall Street tinha oscilações modestas no último pregão da semana, marcado pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) norte-americano, que subiu 0,2% em janeiro, após alta não revisada de 0,3% em dezembro e abaixo de expectativas de economistas de acréscimo de 0,3%.
O S&P 500, uma das referências do mercado acionário dos Estados Unidos, cedia 0,09%.
DESTAQUES
- BANCO DO BRASIL ON caía 5,07%, após desempenho robusto na véspera (+4,5%), quando descolou da performance bastante negativa no setor. Agentes financeiros ainda digerem o resultado do último trimestre e o guidance para 2026 publicados pelo BB na quarta-feira à noite. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN recuava 2,72%, BRADESCO PN tinha declínio de 2,54% e SANTANDER BRASIL UNIT cedia 2,16%.
- VALE ON recuava 2,36%, um dia após mostrar um prejuízo líquido de US$3,8 bilhões no quarto trimestre, com impacto de baixas contábeis, apesar de um sólido desempenho nas vendas de minério de ferro e cobre. O Ebitda ajustado aumentou para US$4,6 bilhões no período, de US$3,8 bilhões um ano antes. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado em Dalian encerrou o dia em queda de 1,5%.
- PETROBRAS PN perdia 1,1%, também sofrendo com a correção na bolsa paulista após forte valorização desde o começo do ano. PETROBRAS ON caía 1,01%. No exterior, o barril sob o contrato Brent rondava a estabilidade.
- RAÍZEN PN cedia 4,48%, após a produtora brasileira de açúcar e etanol divulgar que seu prejuízo líquido aumentou seis vezes no terceiro trimestre da safra 2025/2026, para cerca de R$15,65 bilhões, enquanto a dívida líquida cresceu 43,4%, para R$55,3 bilhões. No pior momento, a ação caiu 10%. De acordo com o CEO, Cosan e Shell comprometeram-se em contribuir com capital para resolver os problemas financeiros da empresa.
- ENEVA ON saltava 8,11%, após o governo elevar os preços-teto para os principais leilões do setor elétrico deste ano. "Os números trazem uma grande sensação de alívio", escreveu o Citi. No começo da semana, as ações desabaram com a definição pela Aneel de preços bem abaixo das expectativas do mercado. A ação da Eneva, uma das principais interessadas no leilão, caiu mais de 19% no pior momento na terça-feira.
- USIMINAS PNA subia 2,16%, tendo no radar lucro de R$129 milhões no quarto trimestre, revertendo prejuízo de um ano antes, bem como previsão de investimentos para 2026 na faixa de R$1,4 bilhão a R$1,6 bilhão. A siderúrgica também anunciou alteração da moeda funcional do real para dólar norte-americano e a eleição de Elias de Matos Brito como presidente do conselho de administração. Ainda no radar, aprovação pela Gecex, na véspera, de medida de antidumping definitivo para aço pré-pintado de China e Índia.
- BRASKEM PNA avançava 1,46%, recuperando-se do tombo de 11% na véspera. A petroquímica divulgou na quinta-feira que não tem e não teve em 2025 dívidas relevantes com o Banco do Brasil e que está em dia com suas obrigações junto à instituição financeira, após informações publicadas pela mídia atribuírem à empresa o impacto na inadimplência do BB. Fonte disse à Reuters que o caso que afetou a inadimplência do BB envolveu a Novonor.