Ibovespa pausa sequência de altas com realização de lucros após rondar 189 mil pontos
O Ibovespa interrompeu uma sequência de 11 altas ao fechar estável com leve queda de 0,01%, aos 185.188,13 pontos, impactado pela realização de lucros e pelo recuo de blue chips como Vale e Petrobras, apesar de ter chegado aos 188 mil pontos na máxima do dia. O movimento é visto como uma pausa técnica temporária, visto que o cenário geral continua positivo com a entrada de capital externo, o alívio nos rendimentos dos Treasuries em Wall Street e a diminuição dos riscos no cenário político.
O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quinta-feira, enfraquecido por movimentos de realização de lucros após uma sequência positiva que o aproximou dos 189 mil pontos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou com variação negativa de 0,01%, a 185.188,13 pontos, encerrando uma série de 11 altas, período em que acumulou um ganho de 11,34%.
Na máxima do dia, porém, chegou a 188.891,50 pontos (+1,99%), ensaiando mais um fechamento positivo. Mas o ímpeto arrefeceu, pressionado particularmente pelas blue chips Vale e Petrobras. Na mínima, chegou a 184.718,36 pontos (-0,26%). O volume financeiro na bolsa somou R$35,19 bilhões.
O retorno do capital externo para a bolsa paulista no final e expectativas eleitorais referendaram a recuperação recente do Ibovespa, que nesta quinta-feira ainda encontrou respaldo no alívio dos rendimentos dos Treasuries nos primeiros negócios.
Wall Street também apoiou o movimento da primeira etapa da sessão, com o índice S&P 500 encerrando o dia com alta de mais de 1%, em pregão também marcado pela expectativa para números do mercado de trabalho norte-americano na sexta-feira.
Para o sócio da Supernova Investimentos João Debom, o desempenho do Ibovespa nesta sessão é "muito mais uma pausa técnica do que uma mudança de tendência". "É natural que parte dos investidores realize lucros num movimento pontual de ajuste", acrescentou.
"O pano de fundo segue construtivo: o alívio nas taxas dos Treasuries e a leitura mais tranquila do cenário eleitoral, com o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno reduzindo a percepção de risco de cauda, continuam dando suporte à bolsa brasileira."
Da cena eleitoral, nova pesquisa Datafolha prevista para esta quinta-feira deve ocupar as atenções, com novas evidências sobre a disputa, principalmente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pelo Palácio do Planalto.
Setembro também começou com fluxo positivo de estrangeiros para a bolsa paulista, com o primeiro pregão do mês registrando uma entrada líquida de R$811 milhões, conforme os dados mais recentes disponibilizados pela B3.
DESTAQUES
• VALE ON caiu 2,91%, em meio a ajustes após forte valorização recente. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 1,32%.
• PETROBRAS PN recuou 1,33% e PETROBRAS ON cedeu 1,79%, em meio a uma acomodação dos preços do petróleo no mercado internacional. O barril sob o contrato Brent fechou o dia com decréscimo de 0,12%, a US$95,52.
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,23%, com outros papéis do setor também reduzindo o fôlego após uma abertura mais positiva, incluindo BANCO DO BRASIL ON, que terminou com variação positiva de 0,85% e BRADESCO PN, que encerrou com elevação de 0,23%.
• CSN ON fechou em alta de 6,69%, mas chegou a disparar quase 20% nos primeiros negócios, reagindo ao anúncio de que Fabio Schvartsman é o novo presidente-executivo da companhia, substituindo Benjamin Steinbruch, que assume a presidência do conselho de administração. De acordo com analistas, a mudança foi inesperada, mas atende a várias preocupações antigas dos investidores.
• PRIO ON caiu 4,52%, tendo também como pano de fundo dados operacionais preliminares de agosto que mostraram queda na produção total da companhia para quase 186,1 mil barris de óleo equivalente por dia, de cerca de 196,3 mil barris em julho. No mês passado, a companhia vendeu 5,38 milhões de barris de óleo, ante quase 6,35 milhões em julho.
• AZZAS 2154 ON valorizou-se 1,85%, ainda sob efeito da repercussão positiva do anúncio de reorganização societária anunciada pelo grupo de moda na véspera.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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