Ibovespa fecha em alta em dia de recuperação
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, após três quedas seguidas, com Itaú Unibanco entre os principais suportes, em mais um pregão marcado pela repercussão de resultados corporativos, incluindo os números de Banco do Brasil, CSN e Braskem.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,72%, a 178.365,86 pontos, após acumular um declínio de 3,8% nos primeiros pregões da semana, fechando na véspera em uma mínima desde 20 de março.
Na máxima da sessão desta quinta-feira, chegou a 179.475,97 pontos. Na mínima, a 177.103,81 pontos. O volume financeiro somou R$30,1 bilhões.
Wall Street corroborou a recuperação local, com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrando o dia em alta de 0,77% e renovando máximas.
O alívio nos rendimentos dos Treasuries e acomodação dos preços do petróleo também apoiaram a melhora na bolsa paulista, um dia após o humor no pregão azedar com noticiário envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O Ibovespa caiu quase 2% no pior momento na véspera após a revelação pelo site The Intercept Brasil de conversas entre Flávio e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre pagamentos milionários para financiar um filme sobre a vida do pai do parlamentar, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda na quarta-feira, Flávio negou que tenha cometido qualquer irregularidade em sua relação com o ex-banqueiro.
Na visão do superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, a bolsa brasileira refletiu nesta sessão ajustes à reação "um pouco exagerada" da véspera à notícia sobre Flávio e Vorcaro e seus potenciais desdobramentos.
Ele destacou que o Ibovespa tem experimentado um ajuste mais recentemente, em parte sustentado pela saída de capital externo, mas a perspectiva ainda é positiva para as ações brasileiras.
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DESTAQUES
• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,94%, em pregão de ajuste positivo no setor após fortes perdas na véspera. BRADESCO PN subiu 1,08% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou com elevação de 0,44%.
• BANCO DO BRASIL ON zerou perda da abertura e chegou a trabalhar com sinal positivo, mas fechou estável, um dia depois de cortar a projeção de lucro para 2026 para um intervalo de R$18 bilhões a R$22 bilhões, em meio a uma queda de mais de 50% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou para 7,3%. Executivos do BB destacaram nesta quinta-feira que o banco aposta no crédito à pessoa física para melhorar a rentabilidade, principalmente nos segmentos de alta renda e no crédito consignado, enquanto ainda enxerga um cenário pressionado para a carteira do agronegócio. Na mínima mais cedo, o papel caiu 4,9%.
• PETROBRAS PN valorizou-se 0,96% e PETROBRAS ON avançou 0,82%, também reagindo após declínio mais forte na véspera, em dia de trégua na alta recente dos preços do petróleo, com o barril sob o contrato Brent terminando o dia com acréscimo de 0,09%, a US$105,72 por barril.
• VALE ON caiu 1,7%, após acumular alta de mais de 3% desde o começo da semana. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou as negociações do dia estável. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA subiu 7,97% e GERDAU PN fechou em alta de 1,16%.
• CSN ON avançou 4,71%, após mostrar Ebitda ajustado de R$2,6 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 5,5% na base anual, em linha com a expectativa dos analistas. Em teleconferência, o diretor financeiro disse que a CSN recebeu mais interessados do que o inicialmente esperado para o processo de venda de ativos, que inclui o controle da cimenteira do grupo e participação em operação logística. A empresa mantém expectativa de concluir a venda da CSN Cimentos no terceiro trimestre.
• HYPERA ON avançou 3,54%, endossada por "upgrade" de analistas do Citi, que elevaram a recomendação da ação da farmacêutica para "compra" e o preço-alvo para R$28, de R$26 anteriormente.
• C&A ON e LOJAS RENNER ON subiram 5,84% e 4,41%, respectivamente, também apoiadas pelo movimento nos DIs.
• BRASKEM PNA perdeu o fôlego e fechou em queda de 0,49%, após um começo de semana com forte valorização. Na noite da véspera, a petroquímica reportou lucro líquido de R$1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais do que duplicando o resultado positivo obtido um ano antes. Em teleconferência sobre o balanço, o CEO afirmou que a empresa está tentando convencer stakeholders para ter acesso a mais capital de giro para gerar mais Ebitda.
• SLC AGRÍCOLA ON perdeu 1,59%, após reportar lucro líquido de R$236 milhões nos três primeiros meses de 2026, o que representa uma queda de 53,8% ante o resultado observado no mesmo período do ano anterior.
• CVC BRASIL ON, que não está no Ibovespa, caiu 11,27%, com o balanço também sob o holofote. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da operadora de turismo somou R$93,7 milhões nos três primeiros meses do ano, queda de 10,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
• CASAS BAHIA ON, que também não é do Ibovespa, recuou 9,31%, após reportar prejuízo líquido de R$1,06 bilhão no primeiro trimestre, pressionado pelo resultado financeiro, enquanto o desempenho operacional mostrou evolução. O CEO afirmou que está adotando uma estratégia conservadora, destacando que o cenário "macro está mais desafiador do que o pessoal imagina".
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