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China começa a agir contra empresas que tentam se "desacoplar" do país

14 mai 2026 - 18h06
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Regime chinês cria regulamentos para retaliar companhias ocidentais que tentarem reduzir sua dependência de fábricas e componentes do país, colocando empresas em situação delicada em meio a tensões geopolíticas.Desde a pandemia de covid-19, tanto a União Europeia quanto os EUA intensificaram seus esforços para tornar suas cadeias de suprimentos menos dependentes da China. Muitas empresas estrangeiras passaram a reduzir suas operações no país asiático e parte da produção foi relocalizada para regiões mais próximas de seus mercados de origem. A iniciativa ganhou novo fôlego com novas tensões geopolíticas e a guerra tarifária iniciada pelos EUA.

Fábrica da alemã VW na China. Disputas geopolíticas têm colocado empresas em situação delicada
Fábrica da alemã VW na China. Disputas geopolíticas têm colocado empresas em situação delicada
Foto: DW / Deutsche Welle

No jargão econômico, esses processos são chamados de decoupling (desacoplamento) ou de-risking (redução de riscos).

E seria de se pensar que se trata de uma simples livre escolha, e que a China não tem como impedir esse desacoplamento. mas as coisas não são vistas dessa maneira pelo regime chinês.

Regulamentos para punir empresas estrangeiras

No mês passado, o regime chinês anunciou o lançamento dos chamados Regulamentos sobre a Segurança Industrial e da Cadeia de Suprimentos. Com esses novos regulamentos, as autoridades chinesas podem agora retaliar empresas estrangeiras que transfiram suas fábricas da China para países como o Vietnã ou a Índia, ou que tragam a produção de volta para seus países de origem.

Empresas estrangeiras agora também podem enfrentar multas e ser incluídas em listas negras de cadeias de suprimentos caso acatem controles de exportação ou sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia contra entidades chinesas. Os regulamentos também permitem que as autoridades chinesas impeçam empresas e indivíduos de deixarem a China se houver suspeita de que estejam transferindo cadeias de suprimentos para outros locais sob pressão estrangeira.

"A medida visa, efetivamente, inviabilizar iniciativas de redução de riscos — como aquelas que a UE e seus Estados-membros, incluindo a Alemanha, vêm adotando para diminuir sua dependência da China", disse Rebecca Arcesati, analista do Instituto Mercator para Estudos sobre a China (MERICS).

As tensões comerciais entre a China e o Ocidente têm crescido há anos, mas a imposição de novas e agressivas tarifas sobre produtos chineses pelo presidente dos EUA, Donald Trump em 2025, acelerou significativamente essa mudança.

Juntas, essas disputas precipitaram o enfraquecimento da globalização, que vem sendo substituída por um sistema de comércio global mais fragmentado e baseado em blocos econômicos.

Europa reage à dominância chinesa

Diante do repetido dumping de mercadorias chinesas baratas — mais recentemente, veículos elétricos (VEs) — que inundam o mercado europeu como resultado das tarifas impostas por Trump, a UE tem adotado, cada vez mais, medidas concretas para proteger melhor seu comércio com a China.

Em março, a Comissão Europeia — o braço executivo da UE — publicou detalhes sobre a Lei de Aceleração Industrial (IAA) do bloco. Embora não mencione explicitamente a China, a IAA visa reduzir as dependências estratégicas da Europa em relação a mercadorias e investimentos chineses, além de combater o que vê como concorrência desleal de rivais chineses, que frequentemente se beneficiam de enormes subsídios estatais.

Esse cabo de guerra regulatório coloca as multinacionais — especialmente montadoras alemãs — em uma posição cada vez mais difícil, visto que empresas como Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz estão empenhadas em proteger sua substancial participação de mercado na China.

Essas empresas também lucram ao produzir uma parcela considerável de seus veículos na China, os quais são posteriormente exportados para outros territórios. Mas, em seus países de origem, essas empresas enfrentam pressão para reduzir a dependência de componentes da China, ao mesmo tempo em que competem com montadoras chinesas de veículos elétricos em rápida ascensão.

Empresas enfrentam equilíbrio impossível

Jens Eskelund, presidente da Câmara de Comércio da União Europeia na China, descreveu as novas regras de Pequim como uma "caixa de ferramentas extraterritorial" que aumentará ainda mais a "complexidade no comércio global".

"Podem surgir situações em que as empresas fiquem presas entre medidas regulatórias impostas nos EUA ou na Europa e na China, tornando impossível cumprir todas elas simultaneamente", disse Eskelund.

Existem evidências anedóticas, afirmou Arcesati, a analista do MERICS, de que a China já está pressionando empresas estrangeiras em relação aos seus planos de transferir parte da produção para outros países.

"Os líderes da China determinaram que a melhor maneira de garantir liderança é a China tornar-se mais autossuficiente... e o mundo depender mais da China no que tange às cadeias de suprimentos e à tecnologia", disse.

Pequim já demonstrou sua disposição em utilizar as cadeias de suprimentos como arma, ao endurecer, no ano passado, os controles de exportação sobre elementos de terras raras e outros minerais críticos. Esses materiais são vitais para a produção de veículos elétricos, sistemas de defesa e eletrônicos avançados.

Pressão chinesa para abrandar a IAA

A UE está sob crescente pressão de Pequim para abrandar a IAA. Vários Estados-membros da UE com fortes laços econômicos com Pequim — incluindo a Alemanha — também estão defendendo uma abordagem mais cautelosa.

Apesar de o déficit comercial da UE com a China ter atingido a cifra de 360 bilhões de euros em 2025, Bruxelas poderá ter dificuldades para manter-se firme, mesmo diante dos alertas de muitos analistas de que a Europa deve proteger urgentemente o seu futuro industrial.

"Se eu fosse uma formuladora de políticas europeia, eu... dobraria a aposta", disse à DW Alice Garcia Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do banco de investimentos francês Natixis. "Se continuarmos aceitando a ameaça da China, teremos cada vez menos margem de manobra."

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Colaborou na reportagem Clifford Coonan

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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