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Ibovespa fecha em alta com impulso de Petrobras e amplia série positiva

27 ago 2026 - 17h17
(atualizado às 17h41)
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Resumo
O Ibovespa subiu 0,31% e alcançou o sétimo pregão consecutivo de alta, aos 175.135 pontos, impulsionado pelo avanço das ações da Petrobras e pelo bom humor em Wall Street após o balanço da Nvidia. Destaques positivos incluíram também Vale e Banco do Brasil, enquanto o setor bancário operou majoritariamente no vermelho. A entrada de capital estrangeiro ajudou a sustentar o índice no dia, mas o Ibovespa ainda acumula retração de 1,61% no mês de agosto diante de um cenário de cautela dos investidores.

O Ibovespa fechou com sinal positivo pelo sétimo pregão seguido nesta quinta-feira, ganhando fôlego à tarde, em movimento respaldado principalmente pelas ‌ações da Petrobras e aval de Wall Street.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,31%, a 175.135,41 pontos, após marcar 175.557,63 na máxima e a 173.660,79 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$23,07 bilhões.

Wall Street corroborou a performance local no dia, com alta dos índices acionários em meio à recepção positiva do balanço e das perspectivas da Nvidia. O S&P 500 fechou em alta de 0,72%.

Dados atualizados da B3 sobre a movimentação de estrangeiros na bolsa também mostraram entrada líquida pela terceira sessão seguida, de R$ 1,37 bilhão no dia 25 de agosto. No mês, porém, o saldo segue negativo em R$20 bilhões.

"O Ibovespa conseguiu sair da tendência de baixa e criou a impressão de que a perda do suporte no começo de agosto 'foi apenas um susto'", afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista nesta quinta-feira.

"Apesar ⁠disso, o índice ainda está longe de vencer a batalha e voltar para um cenário positivo, visto pela última vez em maio."

Os analistas destacaram que o Ibovespa está indefinido e encontrará resistência em 180.700 pontos. Em caso ‌de quedas pela frente, apontaram, o índice encontrará suporte em 164.800 pontos.

A estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, também avaliou que o Ibovespa teve um movimento mais lateral na maior parte da sessão.

Isso, acrescentou, "evidencia a ausência de gatilhos fortes no noticiário doméstico e uma postura defensiva dos agentes financeiros, que evitaram assumir grandes posições de risco na ausência de novos dados econômicos ou direcionamentos que justificassem uma mudança de rota mais ‌acentuada".

Mesmo com a série recente de ganhos, o Ibovespa ainda acumula uma queda de 1,61% em agosto. 

DESTAQUES

• PETROBRAS PN avançou 3,02% e ‌PETROBRAS ON subiu 3%, em pregão com alta do preço do petróleo no exterior. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou nesta quinta-feira a prorrogação do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, ⁠enquanto a Justiça do Distrito Federal concedeu uma decisão liminar que suspende a cobrança do imposto. A Petrobras e a Seatrium também lançaram nesta quinta-feira duas embarcações que aumentarão a produção de petróleo no campo pré-sal de Búzios, o maior do país, em 450 mil barris por dia em 2027. Ainda, a estatal anunciou resgate antecipado de títulos globais com vencimento em 2028, no valor total de aproximadamente US$1 bilhão, e chegou a acordo com a Braskem para ampliar para R$2,35 bilhões o limite de crédito para a petroquímica comprar matérias-primas fornecidas pela petrolífera. BRASKEM PNA, que não está mais no Ibovespa após pedir recuperação extrajudicial, disparou 19,89%.

• VALE ON fechou em alta de 0,84%, ganhando fôlego após uma abertura mais fraca, tendo como pano de fundo a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou ‌o pregão diurno com queda de 0,28%. No setor de mineração e siderurgia, GERDAU PN avançou 4,76%, USIMINAS PNA subiu 0,56% e CSN ON encerrou com elevação de 1,9%. O UBS BB reiterou recomendação de compra para as ‌ações da Gerdau e da Usiminas, mudando os respectivos preços-alvos de R$28 ⁠para R$31 e de R$14 para R$12.

• BANCO DO BRASIL ⁠ON avançou 2,31%, destoando do viés negativo dos bancos do Ibovespa. Executivos da Caixa afirmaram nesta quinta-feira que estão vendo estabilização na curva de crescimento da inadimplência da carteira de crédito do agronegócio no banco, com números em junho ⁠e julho já melhores do que abril e maio. Também estimam que esse indicador continue a melhorar com programa de reestruturação de dívidas ‌do setor rural lançado pelo governo federal no mês passado. O ‌BB, que tem sido bastante pressionado pela inadimplência no segmento agro, anunciou nesta semana que começou a negociar sob as regras da MP 1.376. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,89%, SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,87%, BTG PACTUAL UNIT registrou declínio de 0,61% e BRADESCO PN cedeu 0,35%.

• TOTVS ON fechou em alta de 6,41%, endossada por analistas do JPMorgan, que reiteraram a recomendação "overweight" para a ação e o preço-alvo de R$57 - um potencial de valorização de quase 75% ante o fechamento de quarta-feira. "Acreditamos que os fortes resultados da Totvs, especialmente em termos de atividade comercial, são sustentáveis no futuro ⁠previsível, o que deve ajudar a reduzir gradualmente as preocupações dos investidores sobre uma possível disrupção causada pela inteligência artificial, embora reconheçamos que esse processo pode não ocorrer de forma imediata", afirmaram em relatório enviado a clientes.

• C&A MODAS ON avançou 3,69%, um dia após a rede de varejo de moda anunciar em evento com investidores plano de expansão com previsão de abrir entre 60 e 80 novas lojas no Brasil entre 2027 e 2030, além de reformas e investimentos em omnicanalidade. Analistas do BTG Pactual destacaram que, apesar da agenda de crescimento mais ambiciosa, a disciplina na alocação de capital continua sendo um dos pilares centrais do novo ciclo. "Continuamos com uma visão positiva para a tese de investimento, já que a companhia segue melhorando a rentabilidade de suas ‌lojas em seu negócio principal e a geração de caixa, ao mesmo tempo em que mantém uma abordagem disciplinada em suas operações de crédito", afirmaram em relatório a clientes, reiterando a recomendação de compra para a ação.

• MINERVA ON recuou 3,17%, em pregão de ajustes, após forte valorização desde meados do mês. Analistas do UBS BB afirmaram que participaram de evento nesta quinta-feira com a empresa voltado ao mercado ⁠de capitais, em Barretos (SP), destacando que os comentários da administração continuaram focados na geração de fluxo de caixa livre e na redução da alavancagem, em linha com a expectativa do banco de queda da alavancagem líquida nos próximos trimestres, apoiada pela liberação de capital de giro. Os analistas ponderaram, no entanto, que esse processo pode ser menos concentrado no terceiro trimestre do que esperavam anteriormente, devido às incertezas em torno do regime de importação da China e à necessidade de posicionar estoques para atender o mercado dos EUA. "Isso pode gerar alguma volatilidade nos resultados trimestrais, mas não altera a tendência mais ampla de desalavancagem da companhia", afirmaram, reiterando recomendação de compra para a ação.

• HYPERA ON caiu 3,45%, também passando por correção após quatro altas seguidas. Analistas do Citi afirmaram em relatório enviado a clientes nesta quinta-feira que a atenção dos investidores está no Semavy, produto da Hypera à base de semaglutida recentemente aprovado, com potencial lançamento na segunda metade de setembro. Eles citaram que as contínuas reduções de preços na categoria permanecem um ponto importante de atenção e também estimam que elevados gastos com marketing concentrados no início do lançamento e possíveis descontos em pacotes promocionais para novos clientes devem limitar uma contribuição relevante do medicamento para o Ebitda neste ano. Ainda assim, reiteraram a recomendação de compra das ações com preço-alvo de R$28.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não faz parte do Ibovespa, desabou 28,13%, em meio a ajustes após disparar nas últimas sessões em meio a expectativas envolvendo a possibilidade de uma oferta pública de aquisição (OPA) de ações a um preço muito acima da cotação atual do papel. Na terça-feira, o colegiado da CVM acolheu por unanimidade recursos que contestavam entendimento anterior da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) de que o fundo Josephina III, gerido pela norte-americana Centaurus, não era obrigado a realizar uma OPA prevista no estatuto em razão da reorganização societária divulgada pela empresa em novembro de 2024. O colegiado do órgão regulador decidiu pela exigibilidade da OPA. Analistas do JPMorgan ressaltaram, porém, que a  decisão do colegiado da CVM não encerra a disputa.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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