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Fertilizantes Heringer pede suspensão de cobranças por 60 dias e inicia mediação com credores

Com receita de R$ 4 bilhões no ano passado, empresa é uma das maiores fabricantes de adubos do País e quer ganhar tempo para se reestruturar financeiramente, após prejuízo e queda nas vendas

27 ago 2026 - 16h59
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Resumo
A Fertilizantes Heringer pediu à Justiça a suspensão de cobranças por 60 dias e iniciou mediação com credores para renegociar dívidas antes de recorrer a uma recuperação judicial. A ação visa conter a crise financeira gerada pela forte queda nas vendas e pelo prejuízo de R$ 37,3 milhões no segundo trimestre, além de hibernação de fábricas e trocas na gestão. Apesar da reestruturação, a empresa garantiu que suas atividades comerciais e operacionais continuam ativas.

A Fertilizantes Heringer informou nesta quinta-feira, 27, que iniciou um procedimento de mediação com credores e pediu à Justiça de São Paulo a suspensão, por 60 dias, da cobrança de dívidas. Trata-se de um pedido de tutela cautelar antecedente, um instrumento jurídico usado por empresas para ganhar tempo e tentar uma negociação com credores, antes de ter de apelar a um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial.

A Fertilizantes Heringer é uma das maiores fabricantes de adubos do País, com receita de R$ 4 bilhões no ano passado. Tem mais de dez fábricas e atravessa um grande processo de reestruturação financeira, por conta de queda acentuada nas vendas de fertilizantes e prejuízo no segundo trimestre.

Em 2025, a Heringer também passou a hibernar gradualmente as unidades de Ourinhos (SP), Iguatama (MG) e Rio Verde (GO), citando o desempenho financeiro histórico e a perspectiva de viabilidade econômica das fábricas, enquanto avançava na retomada da unidade de Paranaguá (PR).

A companhia não informou o valor dos créditos incluídos na mediação nem quais credores participam das negociações. A suspensão das cobranças depende de decisão da Justiça, que será divulgada pela empresa ao mercado.

A Heringer afirmou que a medida "possui natureza temporária" e busca proporcionar "um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável" para a condução da mediação. Segundo a companhia, a iniciativa não implica, por si só, interrupção das atividades ou alteração do curso normal dos negócios, apesar do "desafiador cenário macroeconômico e setorial".

O movimento ocorre após a Heringer registrar prejuízo líquido de R$ 37,3 milhões no segundo trimestre, aumento de 29% ante a perda de R$ 28,9 milhões em igual período do ano passado. A receita líquida recuou 54,8%, para R$ 316,5 milhões, enquanto as entregas diminuíram 62,4%, de 274 mil para 103 mil toneladas. No primeiro semestre, as vendas da companhia somaram cerca de 305 mil toneladas, aproximadamente metade do volume registrado um ano antes.

A geração de caixa, medida pelo Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou negativa em R$ 3,36 milhões no segundo trimestre, ante resultado negativo de R$ 76,3 milhões um ano antes. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 39,3 milhões, ante resultado positivo de R$ 97 milhões no mesmo período de 2025.

A redução da atividade já havia aparecido no primeiro trimestre. Entre janeiro e março, as entregas caíram 43,6%, para cerca de 202 mil toneladas, e a receita líquida diminuiu 42%, para R$ 525,3 milhões. O lucro líquido foi de R$ 14,6 milhões, 75,5% inferior ao de igual período de 2025.

A companhia também passou por mudanças na administração neste ano. Danill Bazdyrev assumiu a presidência em abril no lugar de Gustavo Oubinha Barreiro, na quarta troca no comando da Heringer em menos de um ano. Barreiro havia assumido em fevereiro, após a saída de Sergio Longhi Castanheiro.

A Heringer já passou por recuperação judicial. O pedido foi apresentado em fevereiro de 2019 e o plano foi homologado em fevereiro de 2020. A Justiça declarou encerrado o processo em março de 2022, após o período de fiscalização e o cumprimento das obrigações previstas no plano. A recuperação envolveu a renegociação de mais de R$ 2 bilhões em dívidas.

No fato relevante desta quinta-feira, a empresa afirmou que suas operações comerciais e industriais, "incluindo suas unidades de produção e canais de venda, permanecem plenamente operacionais". A Heringer disse ainda que seguirá adotando medidas para fortalecer sua estrutura financeira e operacional, adequar sua estrutura de capital e reforçar a sustentabilidade econômico-financeira de longo prazo.

Estadão
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