Haddad diz que medidas para reduzir gastos serão avaliadas por comissão de líderes do Congresso
Grupo terá o apoio técnico da Fazenda para as discussões; ideia é também sistematizar propostas que já foram encaminhadas
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira, 10, que uma comissão de líderes do Congresso será formada para avaliar medidas de redução do gasto primário. Esse grupo terá o apoio técnico da pasta para as discussões. O tema foi abordado durante a reunião entre Haddad e parlamentares no domingo, 8, mas não houve um acordo acerca das medidas que devem avançar.
"No caso do gasto primário, ficou de se formar uma comissão de líderes para voltarmos para a mesa e discutir gasto primário. No gasto tributário foi acertada uma redução de 10% do gasto tributário infraconstitucional. Foi um acordo que foi feito. No caso do gasto primário, o Congresso vai organizar uma reunião com a área econômica para a gente enfrentar esse debate", disse a jornalistas ao retornar da reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada.
Sobre a redução linear do gasto tributário, o ministro ponderou que a Fazenda até gostaria de fazer uma mudança mais ampla, mas houve consenso em tocar a proposta mexendo apenas nos benefícios infraconstitucionais. Isso deixa de fora o Simples e a Zona Franca de Manaus, por exemplo.
"Queríamos fazer uma coisa mais ampla. Ainda assim, (a proposta) interessa para o País. Então vamos avançar por aí. Nós vamos ter um pouco da sensibilidade do pulso do Congresso", disse, ponderando ser importante que as propostas avancem.
Na avaliação de Haddad, após o encontro, ficou claro que já há muitas medidas que foram encaminhadas ao Congresso. Por isso, só a sistematização dessas propostas já seria um passo formidável a ser dado. Ele disse ainda que serão avaliadas algumas medidas levadas por parlamentares individualmente, para ver se há aderência dos partidos e das bancadas.
Conversa com setores
O ministro disse estar conversando com os setores sobre a reação ao anúncio do fim da isenção do Imposto de Renda dos títulos de renda fixa como LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e LCIs (Letras de Crédito Imobiliário).
"Eu já conversei com o setor. Estou conversando com o setor, como eu faço com todos os setores afetados por medidas que nós tomamos. E já ouvi de várias lideranças uma enorme boa vontade de ajudar. Então é natural. A pessoa está analisando, depois ela vai ver que as contas fecham e que é melhor para o país", disse o ministro ao ser questionado sobre as críticas à medida.
"Hoje o empresário está pagando 14,75% de taxa de juros e está reclamando de uma coisa que é marginal. Enquanto nós estamos fazendo uma coisa justamente para permitir que o Brasil volte a ter taxa de juros razoável", acrescentou.
Haddad também confirmou que a principal alteração na calibragem do decreto que aumentou o IOF será aplicada sobre as operações de risco sacado. A principal mudança é a retirada da alíquota fixa para risco sacado — essa operação só terá a incidência da alíquota variável.