Haddad diz que Lula não fez convites para diretoria do BC
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad disse nesta sexta-feira, primeiro dia após deixar o cargo, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não fez convites para os cargos vagos na diretoria do Banco Central e que ele desconhece os critérios que vão guiar as escolhas.
Haddad, que deixou a Fazenda para se lançar pré-candidato ao governo de São Paulo na eleição de outubro, disse em fevereiro ter sugerido a Lula os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para assumirem as duas diretorias do BC que estão vagas -- de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro.
Em coletiva de imprensa nesta sexta, Haddad disse que o presidente apenas pediu recomendações "como sempre". Questionado se ainda apoiava os nomes, Haddad disse que a pergunta insinuava uma campanha interna junto a Lula, o que não corresponde a como o processo funciona.
"Ele pede sugestões, você oferece e encerra-se ali", disse Haddad.
Cavalcanti é membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Já Guilherme Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Os nomes geraram críticas no mercado, com investidores citando preocupações com as ligações de Mello com o PT e sua falta de experiência em atuação no mercado.
A demora de Lula em nomear os substitutos, cujas vagas estão em aberto desde janeiro, contrasta com suas repetidas reclamações de que a lei de autonomia do BC, de 2021, lhe deixou pouca influência sobre uma diretoria escolhida inicialmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fontes familiarizadas com o assunto disseram que as vagas podem permanecer em aberto por meses diante de um clima difícil para o governo no Senado, sendo improvável que as audiências de confirmação na Casa avancem até que a Polícia Federal conclua sua investigação sobre o Banco Master.
DIESEL
Haddad também disse que a proposta feita pelo governo aos governos estaduais de isenção do ICMS sobre a importação do diesel, com a União devolvendo metade do valor aos entes, é boa para todos. Os Estados ainda não decidiram se aceitam a proposta, mas Haddad afirmou que o Piauí já teria se manifestado favoravelmente.