Galípolo: 'Problema do Master não era passivo, mas o que se fazia com recurso garantido pelo FGC'
Presidente do Banco Central citou mudanças nas regras do fundo para evitar que instituições adotem modelo praticado pelo Master
BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou nesta terça-feira, 19, que o problema do Banco Master não estava no passivo da instituição, mas no que se fazia com o dinheiro que era captado com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Para evitar que instituições possam adotar o modelo praticado pelo Master, disse, foram criadas mudanças nas regras do FGC.
"Como é que foram se criando gradativamente limitações para que você não possa replicar esse modelo? A primeira coisa foi aumentar a contribuição para quem passa de um porcentual do seu passivo que tem garantia do FGC", disse Galípolo, que enumerou as mudanças feitas.
O banqueiro central observou que, em sua visão, a criação recente de um índice de liquidez foi a alteração mais dura feita nas regras do fundo.
"Os ativos elegíveis para serem colaterais do passivo precisam efetivamente ser ativos de um banco de varejo. Do que eu estou falando de ativos de banco de varejo? Crédito imobiliário, crédito agro, algum tipo de título de valor imobiliário que tenha liquidez; você não pode ter um passivo de varejo em um ativo de um hedge fund ou de um ativo de um gestor de fundos estressados. Então, aqui você limitou aquilo que pode ser eleito como um colateral para isso", detalhou.
Paulo Souza e Belline Santana
O presidente do BC enfatizou que a questão envolvendo o ex-diretor Paulo Souza e o ex-servidor Belline Santana foi uma das mais graves da história da autarquia.
"Foi gravíssimo e, de novo, só a Justiça vai determinar o que realmente aconteceu, mas o afastamento de dois servidores do Banco Central, de carreira, eu acho que é um dos fatos mais graves que já aconteceu na história do Banco Central", disse.
Galípolo emendou que todo o corpo técnico do BC sente um "efetivo luto com o que aconteceu".
Palanque para política
Galípolo disse que parte do seu mandato é impedir que a autoridade monetária se transforme em "qualquer tipo de palanque para a política". Ele participa de uma audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, na qual respondeu a perguntas de senadores sobre um termo de compromisso firmado entre o BC e o ex-presidente da autarquia Roberto Campos Neto.
Em junho do ano passado, o BC firmou um termo de compromisso com Campos Neto, à época já ex-presidente da autoridade monetária. Campos Neto se comprometeu a pagar R$ 300 mil à autarquia por ter deixado de verificar a legalidade de operações de câmbio e as qualificações de clientes do segmento enquanto era administrador do Santander Brasil. Segundo um processo de junho de 2025, os valores já foram pagos.
Indagado sobre esse tema na CAE, Galípolo explicou aos senadores que a assinatura de termo de compromisso é feita pelo Comitê de Decisão de Termo de Compromisso (Coter), que tem independência da própria diretoria do BC. Quando indagado sobre o senador Eduardo Braga (MDB-AM), sobre a composição do colegiado e quem exerce o controle do comitê, Galípolo disse que não deixaria o caso se tornar um "palanque".
"O mandato que está escrito no Banco Central é que eu tenho que cuidar da estabilidade financeira e da estabilidade monetária, mas tem um terceiro mandato que tem sido um tema que eu tenho perseguido muito: não deixar o Banco Central se transformar em qualquer tipo de palanque para política", disse Galípolo. "Não cabe a mim perseguir ninguém", enfatizou o banqueiro central.
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