Haddad: 4% das exportações para os EUA serão afetadas por tarifaço; 2% terão destino alternativo
Ministro da Fazenda disse que, apesar do porcentual baixo, governo não irá 'baixar guarda', já que setores vulneráveis podem ser prejudicados pela tarifa de 50%
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira, 5, durante a 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), mais conhecido como "Conselhão", que 4% dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos serão afetados pelo tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump. Deste porcentual, mais de 2% terão um destino alternativo.
"Graças à política que o presidente Lula inaugurou ainda em 2003, de abrir os mercados para os produtos brasileiros, elas representam 12%. Desses 12%, 4% são afetados pelo tarifaço, e dos 4%, mais de 2% terá, naturalmente, outra destinação, porque são commodities com preço internacional que vão encontrar o seu destino no curto ou médio prazo", afirmou Haddad.
Haddad disse ainda que, apesar do porcentual baixo, o governo não irá "baixar guarda" porque setores vulneráveis devem ser prejudicados pela tarifa de 50% para produtos brasileiros.
O ministro da Fazenda também destacou a importância do Conselhão para a Fazenda que, segundo ele, possui uma visão voltada para o crédito desde 2023. Haddad disse que, atualmente, existem cinco projetos de lei que tratam sobre o tema e estão sendo discutidas pelo CDESS.
O ministro também fez um balanço positivo da situação econômica do País e disse que a expectativa do Executivo é que a inflação feche, neste ano, abaixo de 5%. Haddad declarou ainda que o País está evoluindo nas contas públicas depois de anos de "déficit primário crônico".
"Nós estamos, sim, evoluindo nas contas públicas depois de muitos anos de déficit primário crônico, na casa de 2% do PIB. Mas lembrando algo que é caro para a primeira-dama Janja e ao presidente Lula, que nós não estamos fazendo ajuste fiscal no lombo dos mais pobres e no lombo do trabalhador".
Futuro do Pix
Haddad disse que está "fora de cogitação" ceder à pressão de multinacionais sobre o Pix. Segundo ele, o Pix está "chamando atenção" de vários países no mundo e tem uma maturidade que "incomoda", mas destacou que é "uma tecnologia soberana brasileira". "E nós não podemos nem sonhar nem pensar nem imaginar privatizar algo que não tem custo para o cidadão. Não tem custo", reforçou. As falas foram feitas na abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, no Palácio Itamaraty.
Haddad também disse que o Brasil tem condições de atrair investimentos para minerais críticos e que o País vai produzir baterias eficientes e painéis solares. "Nós temos de buscar parcerias concretas com benefícios múltiplos e são várias as oportunidades de cooperação na mesa", disse o ministro em relação aos EUA.
"Nós queremos mais parceria e não vamos cair na magia de imaginar que um governo que, com desinformação, já tomou medidas agressivas em relação ao Brasil, essa não é a história da parceria do Brasil com os Estados Unidos", afirmou.