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Guerra de Trump contra Irã pesa sobre economias do G7, mas não deve haver conversas duras na França

17 jun 2026 - 08h12
(atualizado às 21h51)
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O aumento da inflação e um ‌salto de 30% nos preços do petróleo estão prejudicando o crescimento global, mas é improvável que os líderes das principais economias mundiais culpem o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela desaceleração provocada pela guerra quando se reunirem na França para discutir a economia nesta quarta-feira.

Os líderes do G7, já abalados pelas tarifas dos EUA e pelos ⁠conflitos em torno da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da Groenlândia, criticaram publicamente ‌a decisão de Trump de não consultá-los antes de EUA e Israel iniciarem a guerra contra o Irã no final de fevereiro, ao mesmo tempo em que alertaram ‌sobre as prováveis repercussões econômicas.

EUA e Irã anunciaram ‌no fim de semana que haviam chegado a um acordo para cessar os ⁠combates e reabrir o Estreito de Ormuz, o que provocou uma onda de otimismo nos mercados globais.

Mas o impacto da guerra na economia global já é evidente: ela provocou um aumento acentuado nos preços da energia, renovou as pressões inflacionárias e despertou preocupações sobre uma grave crise no abastecimento de alimentos nos países em desenvolvimento. Os bancos centrais ‌adotaram medidas mais restritivas, com o Banco Central Europeu e o Banco do Japão elevando ‌as taxas de juros ⁠na última semana para ⁠evitar um impacto inflacionário ainda mais acentuado.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou estar "farto" do impacto do ⁠conflito nas contas de energia, e a primeira-ministra ‌italiana, Giorgia Meloni, alertou para ‌as consequências econômicas e sociais da guerra. O aumento dos preços também prejudicou os índices de aprovação de Starmer, do chanceler alemão, Friedrich Merz, e do presidente francês, Emmanuel Macron.

No entanto, os líderes deixaram de lado, em grande parte, as discussões ⁠sobre o impacto econômico da guerra durante a reunião do G7 desta semana, devido ao desejo de evitar um confronto com Trump, cuja cooperação eles precisam em questões que vão da Ucrânia e da Otan até o comércio.

O resultado, segundo analistas, é que o G7 — criado após o choque ‌do petróleo de 1973 para ajudar a gerenciar crises econômicas — agora está se esquivando do principal desafio econômico mundial, o que pode minar sua própria relevância.

"As políticas dos ⁠EUA têm prejudicado a atividade econômica mundial", afirmou Marcello Estevão, economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais.

"Temos um país com a maior economia minando o que poderia ter sido uma agenda de colaboração do G7", disse ele, acrescentando que os líderes do G7 precisam reforçar a relevância do grupo em um momento em que as economias de mercados emergentes — que não fazem parte do grupo — representam uma parcela maior da economia global.

A França, em sua qualidade de presidente do G7 deste ano e empenhada em evitar conflitos, rejeitou preventivamente qualquer tentativa de emitir uma declaração final abrangente e está focada, em vez disso, em declarações sobre questões mais específicas, como desequilíbrios globais, cadeias de abastecimento de minerais essenciais e a reorientação da ajuda ao desenvolvimento para programas mais voltados para o investimento.

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