Saneamento é prioridade estratégica para nós, diz CEO da Equatorial após oferta pela Copasa
Empresa de energia reforça presença no setor de saneamento após desembolsar, em 2024, cerca de R$ 7 bilhões para arrematar 15% da Sabesp
O CEO da Equatorial, Augusto Miranda, disse que o saneamento é uma prioridade estratégica para a companhia, que se tornou investidora de referência na Copasa após a privatização da companhia. O executivo discursou durante a cerimônia de toque de campainha, que conclui o processo de desestatização da empresa mineira.
"O saneamento é uma prioridade estratégica para nós e, acima de tudo, um serviço essencial que transforma realidades, promove saúde, qualidade de vida e desenvolvimento", disse o executivo no evento realizado na sede da B3, em São Paulo.
Com a posição na Copasa, a Equatorial reforça a presença no setor de saneamento. Em 2024, a empresa de energia desembolsou cerca de R$ 7 bilhões para arrematar 15% da Sabesp no processo de desestatização da companhia paulista.
Na semana passada, a empresa passou a ser também o maior acionista individual da Copasa, após arrematar 30% da oferta por R$ 5,6 bilhões em uma fase anterior da oferta, na qual participou sem concorrentes. O governo mineiro tinha 50% da companhia mineira e agora passa a deter 5% e terá o poder de veto (golden share) em decisões.
"Queremos contribuir para a formação de uma companhia já relevante e ajudar a acelerar a agenda da universalização em Minas Gerais", acrescentou o CEO da Equatorial.
Miranda disse ainda que a empresa pretende ampliar investimentos e modernizar a operação da empresa mineira. "Estamos abrindo um novo caminho para a Copasa e acreditamos que os melhores resultados ainda estão por vir", afirmou.
O presidente da B3, Gilson Finkesztain, que deixa a bolsa no final do mês, afirmou que o sucesso da oferta da Copasa é um exemplo que todas as empresas públicas deveriam seguir. "Um movimento que mostra a força do mercado de capitais como fonte de financiamento e de criação de oportunidades de investimentos e de planos para empresas que geram impacto positivo no País", disse.
A oferta de privatização da Copasa movimentou, nas duas fases de sua oferta secundária de ações (follow-on), um montante de R$ 8,4 bilhões, o qual deve chegar aos cofres do Estado mineiro, único vendedor das ações. Esta é a segunda maior privatização do setor de saneamento no Brasil feita em bolsa, atrás apenas da Sabesp, em 2024, que movimentou quase R$ 15 bilhões.
A Copasa seguirá como uma companhia independente e com governança própria após a privatização, afirmou a Equatorial. Por meio de nota, a companhia de energia reforçou que, neste momento, não haverá mudanças na operação da Copasa.
"A Equatorial passa a atuar como acionista relevante, com perspectiva de contribuir a partir de sua experiência na gestão de ativos de infraestrutura, apoiando iniciativas voltadas à eficiência operacional, geração de valor e aprimoramento contínuo da qualidade dos serviços prestados à população", afirmou ainda a companhia.
Novo modelo amplia capacidade da Copasa de acessar capital
A presidente da Copasa, Marília Melo, parabenizou a Equatorial e os investidores da gestora Perfin, que foram os maiores investidores individuais da oferta.
"Esse novo modelo amplia a nossa capacidade de acessar capital, acelerar investimentos e avançar no compromisso que assumimos com Minas Gerais, de universalizar o serviço de saneamento e ampliar a qualidade do atendimento do Estado a todos os nossos clientes", afirmou durante a cerimônia.
Melo acrescentou que o encerramento da oferta pública de ações não é apenas uma transação financeira, mas a consolidação de uma trajetória de muito trabalho, de reconhecimento do mercado e da confiança dos investidores de longo prazo no futuro. "Isso reforça que a companhia está preparada para um novo ciclo", afirmou.
Segundo ela, a privatização ainda fortalece o compromisso ESG (de metas de sustentabilidade), citando a preservação dos mananciais. Melo ainda agradeceu aos funcionários da Copasa pelo propósito de qualidade e por terem ajudado a construir a credibilidade da empresa. "Essa é uma oportunidade para avançarmos na profissionalização da gestão e da meritocracia", disse.
Ela fez ainda um reconhecimento aos municípios mineiros pela parceria, que foram decisivos para o sucesso da oferta. Ela ainda agradeceu ao governador de Minas, Mateus Simões (PSD), pelo apoio à ambição da Copasa na universalização.
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