Governo vai montar grupo de trabalho para aplicar Lei da Reciprocidade contra os EUA
Ministro disse ainda que a retaliação não necessariamente será feita com o aumento de taxa às importações vindas dos EUA
O governo brasileiro formará um grupo de trabalho liderado por Geraldo Alckmin para avaliar uma resposta à tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, explorando antes vias diplomáticas para resolver o impasse.
O governo federal vai montar um grupo de trabalho para decidir quais medidas irão aplicar contra os Estados Unidos, amparados pela Lei da Reciprocidade Econômica. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a jornalistas, nesta sexta-feira, 11.
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A Lei nº 15.122 determina que o governo brasileiro poderá adotar "contramedidas" em resposta a "ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira".
Neste caso, o governo quer responder à tarifa de 50% anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos do Brasil.
O ministro explicou, no entanto, que espera não ter que acionar os dispositivos da lei. "Enquanto isso, os canais diplomáticos sempre estarão abertos para buscar um entendimento e a superação desse impasse", disse.
"Nós temos ainda algumas semanas [para que a tarifa de Trump entre em vigor] e nós temos que, diplomaticamente, agir. O grupo de trabalho que vai ser formado sob a condução do vice-presidente Geraldo Alckmin, vai analisar a Lei de Reciprocidade e todos os instrumentos que estão à disposição do governo brasileiro, para levar ao presidente da República. Mas nós esperamos que, até depois, seja repensado pelas vias diplomáticas e pela desistência dos setores da extrema-direita do Brasil em atacar a soberania nacional", continuou Haddad.
Haddad explicou ainda que há chances da retaliação aos EUA não vir em forma de aumento de tarifas às importações vindas do país.
"Há uma série de alternativas que vão ser consideradas. Isso não significa que vão ser acionadas, porque o nosso desejo é que até lá isso tenha sido superado", disse, chamando o caso de "mal entendido".
Bolsonaristas como culpados
O chefe da Fazenda direcionou críticas, mais uma vez, ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está em um auto-exílio nos EUA, sem citar diretamente seu nome. Para Haddad, ele deve ser punido por agir "contra os interesses nacionais".
"Tem um filho do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos, celebrando a decisão tomada e ameaçando o Brasil com novas decisões, a partir de 1º de agosto. Me parece que não se trata nem de pedir uma investigação, a pessoa declaradamente está agindo contra os interesses nacionais e gestou essa retaliação ao Brasil", falou.
