Governo federal tem postura aquém do necessário sobre o clima, diz governador do ES
Em participação na Conferência Brasil Verde, realizada pelo 'Estadão', Renato Casagrande afirmou que é papel das lideranças dos Estados pressionar o Planalto sobre o tema
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou nesta quinta-feira, 26, durante a Conferência Brasil Verde, realizada pelo Estadão em parceria com o Ambipar Group, que o governo federal tem uma postura em relação ao combate às mudanças climáticas aquém do que deveria e ressaltou que é papel das lideranças dos Estados pressionar o Planalto sobre o tema.
"É possível pressionar o governo, incentivando a ser mais propositivo na área, com maior protagonismo", disse, em entrevista ao jornalista Luís Fernando Bovo, diretor de conteúdo do mercado anunciante do Estadão. De acordo com Casagrande, os Estados não podem substituir a presença do governo federal, mas existe a possibilidade de se colocarem em fóruns internacionais. "A temperatura do planeta como um todo está aumentando, precisamos tomar medidas para evitar a continuidade disso."
Inclusive, nessa linha, foi criado, na segunda-feira, 23, o consórcio "Brasil Verde", que tem como premissa realizar ações em defesa do meio ambiente, tocadas por cada ente federativo, mas de maneira coordenada com os demais. A ideia foi de Casagrande, aceita pelo Fórum dos Governadores, e o nome foi sugerido pelo governador de São Paulo, João Doria.
"O Brasil é continental, cada Estado tem dimensão de um país da Europa. Nós teremos, nesse cenário, decisões com um consórcio único dos Estados brasileiros, com fundo único, governança única. Isso mostra que temos condições de relacionamento com a sociedade, de forma transparente e profissional", afirmou Casagrande.
O governador do Espírito Santo ainda ressaltou que o tema de combate a mudanças climáticas tem uma agravante: não há uma forte mobilização das pessoas em volta disso, sem pressão popular sobre os líderes. "As pessoas não veem facilmente as mudanças, a não ser que seja um desastre ambiental."
Até por conta disso, ele salientou que a presença de empresas privadas nesse processo é muito importante, principalmente quando se fala em neutralização de carbono. "O setor privado é fundamental para ajudar no financiamento de projetos de carbono para neutralizar a emissão, em ações ESG, com preocupação ambiental. Ou seja, a mudança climática não é uma questão somente da gestão pública. É um tripé: setor público, empresas privadas e pessoas físicas, vendo o perfil de consumo no dia a dia e a origem dos produtos."
Influenciadores
Nesse cenário de dificuldade para fazer o tema chegar à grande massa, o governador do Espírito Santo afirmou que a atuação de influenciadores digitais pode ser primordial para o combate às mudanças climáticas. "Nesta semana, o Coldplay (banda britânica) fez postagem em rede social sobre o assunto e nós respondemos. A Greta (Thunberg) é bem ativa. Isso ajuda a consolidar o tema. Infelizmente, ainda temos muitos negacionistas. Precisamos de um trabalho forte de conscientização, com investimento em educação", concluiu.